O presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbaiev, inaugurou, no Palácio da Paz e da Concórdia, na localidade de Astana, o II Congresso de Líderes das Religiões Tradicionais Universais, com a presença de 42 delegações de cerca de 20 países.

Entre as maiores religiões do planeta fizeram-se representar cristianismo, islamismo, judaísmo, budismo, xintoísmo, taoísmo e zoroastrismo. O Vaticano devia ter sido representado pelo cardeal basco-francês Roger Etchegaray, líder emérito do Conselho Justiça e Paz, mas o enviado de Bento XVI perdeu o avião e acabou por falhar a abertura do encontro, que tem como objetivo uma declaração final a favor da paz e da segurança globais. O percalço foi anunciado pelo presidente do senado cazaque aos participantes.

O clérigo teria chegado na segunda-feira à noite a Astana, tendo a sua intervenção sido marcada para hoje, dia de encerramento do congresso. O cardeal Theodore Edgar McCarrick, arcebispo de Washington, lamentou a ocorrência, declarando que, neste congresso, o presidente cazaque “está no bom caminho” e frisando que “os dirigentes religiosos têm de aprender a trabalhar juntos”. Acrescentou que, “sem uma plataforma de entendimento entre as grandes religiões do mundo, as pessoas não poderão ser verdadeiramente ajudadas”, e concluiu dizendo que “os líderes religiosos – como se fossem médicos espirituais –, não podem ser egoístas e deixar todo o trabalho aos políticos”.

O reverendo Nicholas Baines, bispo da Igreja Anglicana em Croydon (Reino Unido), acentuou o “papel central da religião na vida dos homens”, que freqüentemente só percebem isso quando estão aflitos. Avesso a meter todos os credos num plano, salientou que “a pior tentação é pensar que todas as religiões são a mesma coisa”, e advogou a necessidade de explicar as diferenças, realçando a “confiança” como condição para “perder o medo” e “sentir a liberdade”.

Ishmail Noko, secretário-geral da Federação Mundial Luterana (Estados Unidos), disse que “o ser humano é intrinsecamente religioso e procura, através da Fé, um sentido para a vida”. Evocou a Declaração Universal dos Direitos do Homem, vincando que a liberdade de credo está consagrada há dois séculos, sendo dever dos responsáveis recordá-la e insistir nela. “Sem liberdade ninguém é feliz”, rematou.

Noko insistiu que “a liberdade de expressão deve ser exercida dentro dos limites da lei” e justificou que “a difamação religiosa só semeia o ódio”. Como panaceia propôs a “coexistência e colaboração” entre as diversas confissões. Entre os intervenientes no congresso, sob o tema «Liberdade de Credo e Respeito pelos Religiosos», o hinduísta Shantilal Karamshi Somaiya, presidente do Instituto para o Diálogo Inter-Religioso, disse que “onde os políticos falham, as religiões podem ter êxito”.

Fonte: Jornal O Primeiro de Janeiro