Mais de 200 líderes das mais importantes correntes religiosas provenientes de quarenta países se reuniram em Moscou, em uma cúpula mundial que tem como objetivo estabelecer um diálogo global entre forças políticas e comunidades religiosas.

Organizada pela Igreja Ortodoxa Russa com o apoio do Kremlin, a cúpula debaterá durante três dias problemas globais como a luta contra o terrorismo e o extremismo, e os esforços pela superação da pobreza.

O Patriarca russo, Alexei II, pediu aos líderes religiosos que se unam para “proteger a moral”, sem a qual é impossível combater os “conflitos fratricidas, as ameaças terroristas, as manifestações xenófobas e a crise ecológica”.

A hierarquia ortodoxa adiantou que o fórum não tratará de assuntos teológicos, mas sim da opinião das igrejas sobre o desenvolvimento do mundo às vésperas da reunião dos líderes do grupo dos países mais ricos do mundo mais a Rússia (G-8), que será realizada em São Petersburgo.

O metropolita Cirilo, responsável pelas relações exteriores do Patriarcado de Moscou, anunciou que a cúpula religiosa elaborará uma série de propostas que serão apresentadas ao G-8. Putin prometeu levar a seus colegas as idéias e documentos formulados no fórum.

O secretário-geral da ONU, Kofi Anan, enviou uma mensagem à Cúpula Mundial, no qual pediu aos líderes religiosos que “ajudem a superar as barreiras da ignorância, do medo e da incompreensão, dando um exemplo de respeito e de diálogo ecumênico”.

As diferenças existentes entre as religiões “não impedem sua aproximação mútua sobre a base de valores universais como a misericórdia, a tolerância e o amor ao próximo”, ressaltou Anan, que pediu que os chefes espirituais “dêem uma nova vida” a esses conceitos e confirmem o “papel integrador da religião”.

O chefe do Conselho de Muftis da Rússia, Ravil Gainutdin, pediu que a ONU aumente a cooperação com os líderes religiosos, enquanto o Grande Rabino israelense, Yona Metzger, pediu que o fórum “condene” aqueles que se recusem a reconhecer o direito de existência de Israel.

A Igreja Ortodoxa Russa não convidou o Papa Bento XVI para a Cúpula, sob o argumento de que uma visita à Rússia do líder da Igreja Católica é um acontecimento histórico que não pode ser misturado com outras atividades.

Há anos o Patriarcado de Moscou se opõe a uma visita papal à Rússia, sob a acusação de que o Vaticano exerce uma política de proselitismo agressivo pela abertura de templos católicos em territórios ortodoxos.

Ao mesmo tempo, a presença em Moscou de uma ampla delegação do Vaticano, liderada pelo cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos, foi interpretada como uma boa oportunidade para impulsionar o diálogo entre as duas igrejas.

“É evidente que nos dividimos em alguns momentos ao longo da história; mas estamos trabalhamos juntos para superar estas dificuldades”, disse o cardeal Kasper, que afirmou ter esperanças de realizar uma reunião especial com o metropolita Cirilo.

O Dalai Lama também não foi convidado ao evento, supostamente para não atrapalhar o início de “uma possível negociação entre o líder espiritual tibetano e a China”.

Presidente russo pede diálogo religioso

O presidente russo, Vladimir Putin, inaugurou ontem a Cúpula Mundial de líderes religiosos em Moscou com um pedido de diálogo entre os credos para evitar um choque de civilizações entre o Cristianismo e o Islã.

“Tentar dividir o mundo segundo critérios religiosos e étnicos, é aumentar a distância entre o Cristianismo e o Islã”, assegurou Putin durante seu discurso no fórum eclesiástico.

O presidente russo afirmou que “o mundo está impondo, de fato, um conflito entre civilizações”, um confronto que poderia ter “conseqüências catastróficas”.

O chefe do Kremlin ressaltou o quão “tênue é o limite que separa o mundo da guerra e da violência”.

Segundo o presidente russo, a religião pode ser “uma grande força unificadora” frente aos líderes extremistas e aos ideólogos do terror que manipulam os sentimentos dos fiéis.

Putin manifestou seu apoio à “Aliança de Civilizações” proposta pelo presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero.

“Espero que esta coalizão seja um mecanismo efetivo para a cooperação entre as comunidades cristã e muçulmana”, afirmou o líder russo.

Fonte: EFE