Líderes religiosos se uniram nesta sexta-feira para “rezar pelo planeta” próximo a uma geleira na Groenlândia. Cerca de 200 participantes, entre mulçumanos, judeus, budistas e cristãos, embarcaram num cruzeiro entre os icebergs como parte de uma jornada espiritual de combate às mudanças climáticas.

– No nosso pequeno mundo, nós todos precisamos lutar juntos – disse Sofie Peterson, bispo na Groenlândia.

O gelo no Ártico atingiu seus níveis mais baixos este ano. Especialistas são praticamente unânimes ao afirmar que a causa do problema são os gases do efeito estufa produzidos pelas atividades humanas nas últimas décadas.

– Nós temos responsabilidades diante dos homens, mas temos também responsabilidades sobre toda a criação – disse Rene-Samuel Sirat, ex-chefe judeu na França.

Patriarch Bartholomew, líder espiritual cristão ortodoxo, liderou uma reza silenciosa de dois minutos a bordo do cruzeiro, durante o simpósio coordenado por ele, chamado “O Ártico: Espelho da Vida”. Segundo os participantes, durante a reza, o único barulho que se escutava era a água batendo nos icebergs.

– Essa reza é o reconhecimento de que espoliamos a Terra e, agora, precisamos corrigir isso mudando nossos estilos de vida – disse Musharraf Hussein, líder muçulmano britânico. – Nós procuramos a ajuda do nosso criador para obter a força e a capacidade de fazer as mudanças necessárias.

O Papa Bento XVI aprovou a realização do simpósio na Groenlândia na quarta-feira, num novo apelo pela proteção do meio ambiente. O pontífice disse que questões como as mudanças climáticas são importantes para toda a raça humana.

A Groenlândia tem gelo suficiente para elevar o nível dos mares em cerca de sete metros se toda a quantidade derreter neste milênio, o que inundaria pequenas ilhas e áreas costeiras, de Bangladesh à Florida. Cientistas que participam do simpósio pretendem apresentar pesquisas sobre o degelo, que já ameaça povos indígenas animais como o urso polar.

– É impressionante como há pouco gelo agora, comparado com a última vez que estive aqui, há alguns anos – disse Grete Hovelsrud, do Centro Internacional de Pesquisas sobre Clima e Meio Ambiente de Oslo. – A velocidade da mudança acelerou muito e as pessoas se perguntam ‘o que está acontecendo?’.

Fonte: O Globo Online