Crianças, adolescentes e mulheres são o contingente populacional mais vulnerável às diversas formas de violência enraizadas na pobreza, na exclusão, na desigualdade e em padrões culturais que se manifestam na dominação de gênero.

Líderes de 16 países da América Latina e do Caribe, de 12 tradições religiosas, reunidos na Colômbia, de 28 a 30 de abril, comprometeram-se a lutar contra o adultocentrismo, o abuso sexual, o castigo corporal, verbal e psicológico, e outras formas de violência.

Convocados pela Rede Global de Religiões a Favor da Infância (GNRC), o Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), Visão Mundial e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), os religiosos compartilharam experiências, trocaram lições aprendidas e aprenderam, junto a especialistas, sobre esse flagelo que golpeia com força famílias e, especialmente, crianças.

Convictos de que sua reserva ética e espiritual é de vital importância para completar o panorama de contribuições para o estudo, prevenção e atenção à violência intrafamiliar, os representantes religiosos manifestaram o interesse de realizar ações concretas em educação ética para reforçar a autopreservação das crianças, a geração de contextos favoráveis à prevenção e a misericórdia com as vítimas.

Mais de 80 religiosos provenientes de tradições cristãs (batistas, presbiteriana, católica, luterana, reformada), a fé Baha’i, mórmons, comunidades judaicas, muçulmanas e especialistas em enfoques de gênero e masculinidades, juventude, atenção ao abuso sexual, participaram, junto com meninos e meninas colombianos, de espaços de diálogo e conhecimento mútuo.

A conferência foi realizada no marco do III Fórum Mundial da GNRC. A coordenadora latino-americana da Rede, Mercedes Román, disse que “é uma bênção contar com a presença e participação de tantas pessoas e instituições de tradições religiosas diversas que querem assumir compromissos concretos na erradicação da violência intrafamiliar, um tema que nos convoca e nos move a atuar urgentemente”.

A coordenadora local da GNRC, a iraniana Tarasieh Werle, que reside no Equador, recordou que “frente à violência intrafamiliar e sua gravidade para nossas crianças é importante que destaquemos as coincidências mais do que as diferenças para descobrir que, na realidade e como religiões, conformamos uma unidade espiritual”.

O diálogo inter-religioso para a superação da violência intrafamiliar concluiu seu encontro com um plano de ações concretas a serem realizadas entre seus participantes e uma declaração pública convidando as forças religiosas a se comprometerem na erradicação deste flagelo.

Fonte: ALC