Uma editora independente britânica se comprometeu nesta quarta-feira a publicar no próximo mês um romance sobre a mulher mais jovem do profeta Maomé, que gerou grande polêmica nos Estados Unidos e na Sérvia.

Conhecida por ter publicado obras controversas como “A Explosão da Rússia” (título original “Blowing Up Russia”), de Alexander Litvinenko, um ex-espião da KGB envenenado em 23 de novembro de 2006, em Londres, a editora Gibson Square considerou “obrigatório” oferecer ao público “A Jóia de Medina” (título original “The Jewel of Medina”), da jornalista e escritora americana Sherry Jones.

A editora norte-americana Random House havia desistido em agosto passado de publicar o romance, por medo de que ele pudesse ofender a comunidade muçulmana. “Nós decidimos, depois de muita deliberação, adiar a publicação”, informou uma nota divulgada pela editora e assinada por Thomas Perry, um dos diretores.

A decisão foi tomada “pela segurança do autor, dos empregados da Random House, vendedores e qualquer um que possa estar envolvido na distribuição e venda deste livro”.

A editora temia uma reação semelhante à publicação do livro “Versos Satânicos”, do britânico Salman Rushdie. Em 1988, o livro provocou indignação em parte do mundo muçulmano. Uma fatwa –ordem de execução– foi declarada contra Rushdie pelo então líder espiritual iraniano, aiatolá Khomeini, forçando o autor a viver escondido por uma década.

Favorita

O romance conta a vida de Aisha, que é considerada a mulher favorita de Maomé, desde o seu noivado, aos seis anos de idade, até a morte do profeta. A obra já tinha sido recolhida das livrarias na Sérvia, após protestos da população muçulmana local.

A autora disse que ficou chocada ao descobrir, em maio passado, que a publicação do livro havia sido adiada sem previsão. A autora disse que nunca esteve no Oriente Médio, porém passou anos estudando história árabe. Segundo ela, o livro é uma síntese do que aprendeu. “Eles tiveram uma grande história de amor”, disse Sherry Jones, sobre Maomé e Aisha.

A autora acabou de terminar uma seqüência do livro, sobre a vida adulta da protagonista.

Mas Martin Rynja, porta-voz da Gibson Square, considerou que “em uma sociedade livre, deveria haver um acesso aberto às obras literárias, pouco importando suas crenças”. “Como editora independente, consideramos que não devemos ter medo das conseqüências de um debate”, acrescentou.

Fonte: Folha Online