Em comício marcado por ataques ao casal Garotinho e a seu candidato ao governo fluminense, Sérgio Cabral Filho (PMDB), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, celebrou ontem à noite a liderança nas pesquisas dizendo que Deus foi muito generoso com ele após a crise aberta no ano passado no governo pelos escândalos de corrupção.

“Porque, depois do massacre que fizeram contra mim, achando que podiam me derrotar pela imprensa brasileira, o que estamos vendo é que o povo levantou a cabeça e disse: ‘Lula, deixa com nós (sic), que nós sabemos o que fazer neste País”, afirmou, ao lado do senador Marcelo Crivella, candidato do PRB ao governo estadual e bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), em um comício na zona oeste da capital. Cerca de 10 mil pessoas, a maioria trazida em ônibus e vans, participaram do ato, na praça Guilherme da Silveira, em Bangu.

Com seu discurso de ataques a Garotinho e Cabral Filho, Lula virtualmente sepultou o sonho do senador peemedebista de ter pelo menos a neutralidade do governo federal em relação à sua candidatura. No Rio, Lula tem dois palanques: o de Crivella e o de Vladimir Palmeira (PT), com quem também promoveria comício ontem, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O presidente, depois de citar programas governamentais para o Rio que teriam tido o apoio de Crivella como vice-líder do Governo no Senado, acusou Cabral Filho de ter feito oposição à maioria deles. “O adversário deste aqui votou contra a maioria dessas coisas que eu falei”, afirmou. “Votou contra porque era importante não deixar que o governo federal fizesse nada pelo Rio.”

Segundo o presidente, a governadora evangélica Rosinha Garotinho (PMDB) e seu marido, Anthony Garotinho (PMDB), que era pré-candidato a presidente, atrapalharam e até impediram programas do governo federal no Estado apenas por causa da pré-candidatura de Garotinho. Ele disse que o casal chegou a reivindicar “um número absurdo” de soldados do Exército para ajudar na segurança pública do Estado. Quando o governo federal respondeu que não poderia enviar 5.000 militares, mas 2.000, os dois teriam desistido. “A proposta não era de verdade. Era só para testar, para saber se a gente ia mandar”, acusou, no ato, mistura de comício, festa e culto evangélico.

“Crivella é dez, o Rio é dez, o Rio todo com Crivella, a gente é dez”, berravam os altos falantes, em ritmo gospel. Com as duas mãos abertas, muitos participantes faziam propaganda do número do candidato a governador e cantavam. O próprio Crivella, que discursou antes de Lula, seguiu linha semelhante à do presidente, que chegou a chamar o senador do PRB de “futuro governador” e destacou a importância de o Rio ter um governador “que não olhe feio” para o presidente.

O candidato do PRB acusou Rosinha de ter prejudicado o Estado, supostamente atrapalhando programas federais por “pirraça” e porque o marido queria ser candidato a presidente. “Pirracenta”, gritaram participantes da concentração.

Fonte: Estadão