Um ato inédito para comemorar o Dia Mundial de Luta Contra a Aids no Brasil, no qual o Cristo Redentor recebeu um gigantesco laço vermelho – símbolo mundial do combate à doença -, uniu neste sábado no Rio de Janeiro dirigentes políticos rivais e líderes de diferentes religiões.

Um laço vermelho de oito metros foi cruzado na base da estátua, que fica no topo do Morro do Corcovado.

O ato solidário aos pés do monumento mais emblemático do Rio de Janeiro foi o principal evento entre os diversos organizados por todo o Brasil em homenagem ao dia de ontem, e contou com a presença do ministro da Saúde, José Gomes Temporão.

Também estiveram presentes na cerimônia o arcebispo do Rio de Janeiro, dom Eusébio Scheid, e o deputado federal Chico D’Angelo (PT-RJ), presidente da Frente Parlamentar de Luta Contra a Aids.

Além de líderes políticos de diferentes correntes, entre governistas e opositores, também prestigiaram o evento líderes das comunidades evangélica, judia, muçulmana e afro-brasileira, assim como dirigentes indígenas. Os líderes religiosos ofereceram uma bênção conjunta no final do ato.

Também estiveram no Cristo portadores do vírus da aids que contraíram a doença quando eram menores de idade e líderes de grupos de defesa dos homossexuais.

Apesar de as políticas públicas de distribuição gratuita dos remédios contra a aids e de as campanhas de prevenção, que incluem a distribuição anual de milhões de preservativos, serem consideradas modelos mundiais, o Brasil continua sendo um dos países mais afetados pela doença no mundo, tendo 600 mil infectados.

O ato no Corcovado contou com o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), apesar das constantes críticas dos hierarcas católicos às campanhas oficiais que promovem o uso de preservativos.

Entretanto, a Igreja Católica apóia o Ministério da Saúde em programas para atender aos doentes de aids e na defesa de seus direitos.

Além do Cristo Redentor, enormes laços vermelhos também decoraram os Arcos de Lapa, outro importante monumento turístico do Rio de Janeiro, e o Obelisco do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, um dos principais monumentos da cidade.

Os atos comemorativos, que se estenderam por várias cidades brasileiras, contaram com as tradicionais campanhas de informação e de distribuição em massa de preservativos. O Governo pretende distribuir oito milhões de unidades em todo o país.

A campanha se estendeu inclusive aos Jogos dos Povos Indígenas, uma olimpíada que começou há uma semana na cidade de Recife e reúne centenas de atletas indígenas de diferentes etnias do país.

O evento esportivo indígena foi invadido por voluntários que distribuíram folhetos informativos em diferentes línguas indígenas sobre os riscos da aids e dois mil preservativos.

Segundo números do Ministério da Saúde, foram registrados até o ano passado 191 casos de aids entre índios no Brasil.

Fonte: EFE