Liberado de duas das três acusações que pesam sobre o pastor José Pilar Alvarez na Justiça, ele continua em prisão domiciliar. O pastor da Igreja Luterana da Guatemala (Ilugua) é acusado de perturbar a posse de bens, informou, na terça-feira, o diácono Ramón Ovalle, da Igreja Episcopal da Guatemala.

Cabrera foi preso ao meio-dia do domingo, 25, no município de Zacapa. Ele é acusado de insuflar as comunidades da região contra a exploração do bosque do monte Granadilla, que abastece de água várias aldeias do Departamento de Zacapa.

O bispo da Igreja Luterana de San Salvador, Medardo Gómez, viajou, na terça-feira a Cidade da Guatemala para apoiar o pastor e denunciar a ação de forças públicas contra a Igreja.

“A prisão do nosso irmão, pastor José Pilar, preocupa-nos porque significa um desrespeito ao trabalho pastoral que realizamos em nossos países, e é perigoso porque a igreja é chamada a denunciar a injustiça, venha de onde vier”, disse o bispo Medardo.

Além do pastor, estão sendo processados o irmão do pastor, Nestor Eduardo, e Rubén de Jesús Aldana, membro da Associação para a Proteção da Montanha de las Granadillas.

O Conselho Ecumênico Cristão da Guatemala, o Coletivo Ecologista Madre Selva e a organização camponesa Plataforma Agrária afirmaram, em coletiva de imprensa na terça-feira, que a privação da liberdade de líderes sociais defensores dos recursos naturais converteu-se numa maneira de amedrontar e criminalizar as lutas sociais no país.

Omar Jerônimo, da Plataforma Agrária, lamentou que autoridades guatemaltecas não investigam as ameaças de morte que o reverendo José Pilar Alvarez vem recebendo há um ano, mas se preocupam em prender os que defendem interesses comunitários, como o cuidado de fontes de água.

Desde 1985, o pastor investe no trabalho em defesa das comunidades mais pobres e do meio ambiente. Ele acompanha dez comunidades mestiças e três comunidades da área indígena de Chorti, a 200 quilômetros da capital de Zacapa.

Fonte: ALC