A dona de casa Cristina Aparecida Fuzati, moradora de Mirassol, a 453 quilômetros de São Paulo, aceitou o pedido do filho de 14 anos e acorrentou o garoto pelas mãos e pernas para evitar que ele saísse de casa em busca de drogas.

Dependente químico de crack e maconha, K.M.F.C., passou a manhã de hoje com duas correntes presas com cadeados nas canelas e nos punhos e se locomovia aos pulos dentro da casa da família, no bairro Bela Vista, periferia da cidade.

A mãe do garoto deverá responder inquérito policial de cárcere privado. Ela não quis falar com a imprensa, mas disse à Promotoria da Infância e da Juventude, onde prestou depoimento, que atendeu aos apelos do garoto porque tinha visto algo parecido na TV e tinha medo de que seu filho fosse pego roubando objetos para comprar drogas ou fosse apreendido usando drogas em festas raves, como a ocorrida no dia 9 de março, quando 120 adolescentes e quatro crianças foram apreendidas em meio a bebidas e entorpecentes.

O garoto foi solto no final da tarde por conselheiros tutelares e será levado a uma clínica de dependentes químicos, em uma nova tentativa das autoridades de menores de recuperá-lo. Em setembro de 2006, K. foi ao Juizado de Menores por desacatar um professor. Em março de 2007, se recusou a cumprir as medidas de orientação, que incluíam aulas num centro municipal de capacitação de adolescentes e numa escola de informática. Em setembro, abandonou a escola e em dezembro, fugiu de casa. Em janeiro deste ano, foi pego usando drogas – as autoridades ofereceram tratamento em uma clínica, o que também não foi aceito. Em fevereiro, foi capturado praticando furtos para comprar crack.

“O problema é que a família é carente, desestruturada e vive em condições precárias de moradia”, diz o promotor de Infância e Juventude de Mirassol, José Heitor dos Santos. Segundo ele, no mesmo período de acompanhamento do garoto, a família – formada pela mãe, pai e duas meninas mais novas que K. – recebeu ajuda de um amparo social, mas a mãe, que sofre de problemas psiquiátricos, se recusou a seguir um tratamento no Hospital das Clínicas da Unicamp. A família também não freqüentou nenhuma sessão com os assistentes sociais e psicólogos. Depois do internato, recuperado ou não, K. deverá ser processado pelos furtos que cometeu.

Fonte: Agência Estado