Vera e Luis com os pais adotivos, Viviane Freitas (filha de Edir Macedo) e o bispo Júlio Freitas
Vera e Luis com os pais adotivos, Viviane Freitas (filha de Edir Macedo) e o bispo Júlio Freitas

Na segunda reportagem da série “O Segredo dos Deuses” (vídeo abaixo), exibida na noite desta terça-feira (12), pela emissora portuguesa TVI, onde denuncia a Igreja Universal por tráfico internacional de crianças, a mãe biológica dos netos do pastor Edir Macedo diz que a Igreja Universal do Reino de Deus a descredibilizou para supostamente, deixar seus filhos em “situação” de adoção.

O Ministério Público de Portugal investiga o caso desde a semana passada.

Segundo a denúncia, a mulher, identificada como “Maria”, deixava os filhos Vera, Luís e Fábio no Lar da Universal enquanto trabalhava.

Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), visitou em 1995 o lar da instituição em Camarate (Portugal), onde viviam os três irmãos e escolheu as crianças para a sua filha Viviane, cujo marido não podia ter filhos, por ter feito a vasectomia que Edir Macedo tinha exigido.

“Recordo-me do Edir Macedo ir visitar o lar. Estava lá o Luís e a Vera e as crianças lá, quando apareciam pessoas estranhas ou diferentes, que não eram de lá, agarravam-se a essas pessoas. O Edir vira-se para a Ester [esposa] e diz: ‘Aqui estão umas crianças boas para o Júlio e a Viviane’. E então começaram a brincar com as crianças, a tentar conhecer as crianças”, contou à TVI “Ana” (nome fictício), ex-funcionária do lar.

O bispo Edir levou então fotografias das crianças para a Califórnia, para a filha Viviane aprovar a escolha. Já naquela época, uma lei proibia os casais escolherem as crianças que queriam adotar.

A versão da história que chegou à Santa Casa da Misericórdia, e depois ao Tribunal de Família e Menores, teria sido plantada pelo pastor.

“Maria seria soropositiva e toxicodependente. Afastar Maria era essencial para que se cumprisse a vontade de Edir Macedo: levar aquelas crianças para os Estados Unidos para a filha Viviane Freitas”.

A reportagem garante que este foi o motivo que fez Maria ser “constantemente impedida de visitar os filhos”. Ela sempre ouvia que “os filhos não estavam porque tinham ido passar o fim de semana com uma funcionária ou porque tinham outras atividades. Certo é que Maria assinou o livro de visitas apenas uma vez: um livro que desaparecia todas as vezes que ela chegava ao Lar”.

Tal livro seria fundamental para atestar o interesse dos pais pelos filhos. Conforme a emissora, se o livro não for assinado pelos pais no período de seis meses, os filhos então, entravam para a lista de adoção.

“Naquela altura, era-nos dito que os pais não podiam assinar o livro. Era negado, não tínhamos ordem para dar o livro aos pais”, garante à TVI uma ex-funcionária do Lar da IURD, identificada como Ana.

De acordo com Ana, Maria continuava a visitar os filhos e chegou a ir à polícia. O caso nunca chegou ao tribunal e a mãe biológica foi impedida de ver os filhos.

Sem poder assinar o livro, comprovou-se assim a tese de abandono e rapidamente o Lar sugeriu que uma pessoa ficasse com a guarda das crianças; uma pessoa que diziam ter uma relação com estes irmãos; uma pessoa que mal os conhecia e que tinha uma única missão: levá-los para os Estados Unidos e entregá-los à filha do bispo Edir Macedo. E assim fez, mesmo que não houvesse autorização para que vivessem fora do país e o tribunal continuasse a permitir as visitas dos pais.

O ex-bispo da IURD Alfredo Paulo confirma que a família de Edir Macedo adotou em Portugal, “aproveitando-se do fato da IURD ter acesso ao lar das crianças”. “Essas crianças foram adotadas no lar e não seguiram os trâmites que deveriam seguir”, assegurou.

A TVI promete apresentar como Viviane e o marido, Júlio Freitas, que não tinham idade para adotar, conforme lei portuguesa, nem moravam no país conseguiram ficar com as crianças.

Assista a 2ª reportagem da série “O Segredo dos Deuses”:

Fonte: TVI