A Malásia vai permitir a publicação uma edição malaia de um jornal católico, retirando uma restrição imposta por causa do uso da palavra “Alá”, disse um representante do governo nesta quinta-feira, 8 – uma ação que visa acalmar a ira das minorias do país muçulmano.

The Herald, o principal jornal católico apostólico romano do país, não vai poder usar a palavra Alá como uma tradução de Deus, no entanto, disse Che Din Yusoh, representante do ministério de controle de publicações.

“Se eles pararem de usar a palavra Alá, eles podem publicar a qualquer momento”, disse Che Din. “Você pode usar outra palavra. É admissível para nós”, disse, acrescentando que a decisão seria encaminhada ao Herald na sexta-feira, 9.

O ministro de Assuntos Interiores tinha proibido o Herald de rodar sua edição malaia por violação da proibição de 2007 do uso da palavra Alá, exceto para se referir ao deus muçulmano. O governo diz que usar a palavra pode confundir os muçulmanos, apesar de o jornal ser lido quase que exclusivamente por cristãos.

A maioria dos malaios, que formam 60% das 27 milhões de pessoas do país, são muçulmanos, e falam a língua malaia. O Islã é a religião oficial do país.

O malaio também é falado por tribos cristãs indígenas nos Estados de Sabah e Sarawak, que leem o Herald. O jornal continuou sendo publicado em inglês, mandarim e tâmil.

O Harald desafiou a proibição do uso da palavra Alá na corte, dizendo que a tradução foi usada por séculos e que a palavra é uma referência comum ao deus que precede o Islã. Ele diz que a proibição é inconstitucional e ameaça a liberdade religiosa das minorias.

Até que a corte dê um veredicto, no entanto, o jornal aceita parar de usar a palavra para evitar mais confrontos, disse o reverendo Lawrence Andrew, editor do Herald. “Acolhemos essa nova visão, nos devolvendo o direito de usar nossa língua nacional”, disse.

Fonte: Estadão