Depois de ser atacado pelo senador Romário (PSB-RJ), o prefeito do Rio, Marcello Crivella, virou agora alvo da Igreja Mundial do Poder de Deus. Representante da denominação no Congresso, o deputado Francisco Floriano (DEM-RJ) adota a mesma linha do ex-jogador e diz estar indignado com o fato de seu grupo não ter sido atendido pelo prefeito após a eleição. Segundo Floriano, esta é a segunda vez em que Crivella lhe fez uma promessa e não cumpriu. A preocupação nos dois casos é bem terrena: cargos públicos.

A primeira vez, relata Floriano, foi em 2002, quando coordenou a campanha que elegeu Crivella para seu primeiro mandato no Senado. A promessa de nomear Floriano para um cargo no gabinete foi feita diante de uma plateia de 300 pessoas, durante a festa de aniversário da filha do deputado. Mas nunca foi efetivada.

[img align=left width=300]http://deputados.democratas.org.br/wp-content/uploads/2016/06/floriano.jpg[/img]— Nós nos conhecemos há mais de 30 anos, e essa não é a primeira vez que o Crivella me faz uma promessa que não cumpre. Ele prometeu me valorizar no gabinete dele quando coordenei a campanha para o Senado, mas depois não quis nem saber — afirma Floriano (foto).

A Igreja Mundial, comandada pelo apóstolo Valdemiro Santiago, fez um acordo com Crivella: permaneceu neutra no primeiro turno da eleição municipal e, no segundo turno, fez campanha aberta para o então candidato. Em troca, Crivella receberia os representantes da igreja para atender suas demandas, que incluem espaço na prefeitura e outras medidas.

A esperada conversa, no entanto, ainda não aconteceu. Segundo Floriano, Crivella, que esteve em São Paulo durante a eleição para pedir o apoio de Valdemiro Santiago, não fez uma ligação sequer para agradecer o apóstolo. E, quando Valdemiro esteve no Rio para um evento religioso que reuniu cerca de 30 mil pessoas, no final do ano passado, Crivella não o recebeu.

— Crivella não deu nenhuma atenção à nossa igreja. O apóstolo Valdemiro recebeu o Crivella em São Paulo, cumprimos nossa parte do acordo, e ele, nada. Nem para agradecer — queixou-se Floriano.

O deputado acredita que, com a cobrança, sua igreja terá mais chances de ser compensado pelo trabalho durante a eleição.

— O Romário só conseguiu o que queria depois de cobrar publicamente — ponderou.

Além das reclamações do deputado, Crivella sofreu um outro revés nesta quinta-feira: o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a nomeação de Marcelo Hodge Crivella, filho do prefeito, para a Secretaria municipal da Casa Civil.

[b]Fonte: O Globo[/b]