Com a saída de Ciro Gomes da disputa presidencial, a candidata evangélica Marina Silva, dependendo do seu desempenho, pode ser a responsável por um segundo turno ou mesmo pela definição das eleições presidenciais no mês de outubro. Marina acredita que pode vencer Serra ou Dilma.

Na entrada do gabinete da senadora Marina Silva foi afixado um cartaz em que se lê: “Negra, evangélica e candidata a presidente. Ela é capaz de mudar as próximas eleições no País.” É verdade. Desde que o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) saiu da disputa presidencial, Marina ganhou uma importância fundamental nessas eleições, principalmente para os dois candidatos que lideram as pesquisas eleitorais, o ex-governador José Serra (PSDB-SP) e a ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff (PT).

A depender de seu desempenho, Marina pode ser a responsável por um eventual segundo turno ou mesmo pela definição das eleições presidenciais em outubro. Tudo vai depender da quantidade de votos que a senadora conseguir arregimentar com seu discurso verde. É um fenômeno novo na história recente das eleições brasileiras, assim como é inédita também a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a possível transformação desse prestígio em votos para sua candidata.

Com a disputa tão polarizada, os cerca de dez milhões de votos que Marina já conquistou, de acordo com as pesquisas eleitorais, ganham importância especial, principalmente se, de fato, houver segundo turno.

Marina, no entanto, não aceita facilmente o papel de coadjuvante. Ela acredita que pode vencer Serra ou Dilma em outubro. “Com ideias e debates eu posso ir para o segundo turno”, diz. Mas sabe também a importância estratégica que tem para seus adversários, pelos quais não demonstra, ainda, nenhuma preferência . “Acho os dois muito parecidos, eles têm visão desenvolvimentista”, diz.

Um dos colaboradores da campanha tucana, o presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), concorda que Marina se transformou em peça-chave na eleição. “A Marina vai ser o fiel da balança”, diz Maia. No PT e no PSDB, a ordem é não criar conflitos nem bater em Marina.

O ex-governador de São Paulo foi o primeiro a lançar uma ofensiva para atrair desde já o PV de Marina para composições nos Estados. Serra conseguiu pacificar a coligação PSDB/PV/DEM no Rio de Janeiro. O deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT), concorda que a candidatura de Marina ganha força após a saída de Ciro, mas tem pouca esperança de que o PV faça composição com o PT no futuro. “Pelo jeito, a Marina deve ficar com o Serra no segundo turno”, diz Paulinho. Dentro do PT, a opinião é a mesma.

Um interlocutor do partido disse à ISTOÉ que Marina deixou clara sua opção pelos tucanos ao endossar a aliança PV/PSDB no Rio, ao tentar atrair para sua campanha o ex-ministro Rubens Ricupero e ainda chamar o economista Roberto Giannetti da Fonseca, historicamente ligado a Serra, para elaborar um plano de governo.

Alheia às disputas por seu apoio, Marina vem tratando de conquistar mais eleitores. Na semana passada, encontrou-se mais uma vez com o diretor de cinema americano James Cameron, dessa vez em Washington, onde esteve por ocasião do Dia da Terra.

Agora, ela vai visitar o fenômeno verde Antanas Mockus, candidato presidencial na Colômbia que cresceu meteoricamente e já tem 38% dos votos. Confiante de que pode repetir a façanha de Mockus por aqui, Marina acaba de licenciar-se do Senado.

Fonte: Revista Isto É