A pré-candidata do PV à Presidência, a senadora evangélica Marina Silva (AC), negou nesta quarta-feira (14) ter escondido uma bandeira arco-íris, símbolo do movimento LGBT (sigla para lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros), dada a ela durante a posse do presidente do partido em Minas Gerais, Ronaldo Vasconcellos, ocorrida na última sexta-feira (9) na Assembleia Legislativa, em Belo Horizonte.

A bandeira foi um presente do vereador Sander Simaglio (PV), da cidade mineira de Alfenas.

Em nota publicada em seu site, a pré-candidata relata ter recebido um e-mail de Simaglio, no qual o vereador cobra a senadora por ter recebido a bandeira arco-íris e a guardado, em vez de estende-la, como havia pedido.

“Como fiz com tantas outras lembranças que me foram dadas naquele dia – livros, artesanatos e flores –, passei a oferta do vereador para a minha assessoria. Então nos abraçamos, nos despedimos, e não notei nenhum desapontamento de sua parte”, diz Marina. Na nota, a pré-candidata diz que “respeita as diferenças”, se define como uma “defensora da tolerância” e afirma reconhecer “a legitimidade do movimento (LGBT) e de suas reivindicações”.

Sander Simaglio confirma que pediu a Marina que erguesse a bandeira durante o evento, por ver este gesto como um apoio explícito à causa gay, e considerou “positivo” o fato da pré-candidata se manifestar sobre o assunto em seu site.

“A assessoria dela achou por bem fazer isso (divulgar a nota no site), no sentido de que foi um mal-entendido. Então, na proxima oportunidade que eu tiver, eu vou entregar novamente a bandeira do orgulho gay, e quero ver ela levantar”, afirma o vereador. “Se ela respondeu, ótimo, então ela se posicionou frente ao movimento. Mas se eu não tivesse mandado o e-mail, esse manifesto não teria saído”, diz Simaglio.

Leia abaixo a integra da nota de Marina Silva:

“O que penso a respeito do movimento LGBTs

Quem conhece a minha história e convive comigo sabe que respeito as diferenças e sou defensora da tolerância. Acredito que são posturas essenciais para a construção da ética democrática.

Minha voz e meus atos nunca manifestaram ou manifestarão, portanto, qualquer tipo de rejeição a qualquer movimento legitimado por aquilo que costumo chamar de forças vivas da sociedade.

Sempre que me perguntam sobre o que penso a respeito do movimento LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros), seus direitos e sua luta por leis que os protejam de discriminação, digo que reconheço a legitimidade do movimento e de suas reivindicações.

O Estado deve assegurar a todos – sem distinção – igualdade. As políticas públicas, democraticamente aprovadas pelo Parlamento, e implementadas pelo governo, devem atender a todos.

Falo isso porque, nos últimos dias, um vereador de meu partido, militante do movimento LGBTs, me escreveu, com cópia para outras pessoas, dizendo que eu “escondi” a bandeira arco-íris que ele me entregou durante um evento público na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O assunto chegou a ganhar certa repercussão no universo da internet. Sander Simaglio, segundo ele escreve, teria me pedido para estender a bandeira.

Sander, um ativo militante e parlamentar, atual presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Alfenas, subiu ao palanque no momento em que o presidente do partido em Minas, Ronaldo Vasconcellos, fazia seu discurso de posse. Na sequência, solicitou que eu tirasse uma foto ao seu lado. Atendi Sander, como faço com todos os pré-candidatos do PV, para registrar aquele encontro momentâneo. Não me recordo de ter tido qualquer outro diálogo com ele.

Logo em seguida, de forma simpática e respeitosa, ele me passou a bandeira que retirou do bolso de seu paletó. Como fiz com tantas outras lembranças que me foram dadas naquele dia – livros, artesanatos e flores –, passei a oferta do vereador para a minha assessoria. Então nos abraçamos, nos despedimos, e não notei nenhum desapontamento de sua parte.

Aliás, não tive nenhuma reação surpreendente ao receber a bandeira. Receber presentes e lembranças simbólicas é um ato corriqueiro em minhas andanças pelo país.

Na condição de pré-candidata à Presidência da República, me coloco como postulante a representar todos os brasileiros, independentemente do que pensam, de sua orientação sexual, do que crêem ou de sua militância. Minha história é meu compromisso. Política deve ser feita com respeito, sem proselitismo.

Por fim, reafirmo: ainda que minha conduta moral e ética integrem valores da fé cristã, que professo, não discrimino quem quer que seja e defendo plena cidadania para todos. O mesmo espero de todas as outras pessoas, candidatas ou não.”

Fonte: Folha Online e site de Marina Silva