Um endereço errado vai provocar a demora na decisão da Justiça sobre o pedido de reconhimento do livro “O Vôo da Esperança”, do médium Woyne Figner Sacchetin, sobre as vítimas da tragédia com o voo 3054 da TAM, no aeroporto de Congonhas (SP), em 2007.

O fórum de São José do Rio Preto (SP) não consegue localizar o médium para que ele se defenda antes de o juiz se manifestar sobre o caso. A solicitação para tirar o título do mercado foi feita pela professora Carmem Caballero, que perdeu a mãe e duas filhas no pior acidente da aviação civil do país (199 mortes).

No livro, o médium sustenta que os passageiros morreram porque foram algozes em uma vida passada, e isso teria sido ditado pelo espírito de Santos Dumont (1873-1932). A professora se sentiu ofendida e também pede uma indenização por danos morais correspondente a mil salários mínimos (R$ 465 mil, em valor atual).

Na última sexta-feira (8), o fórum registrou que descobriu o endereço correto do médium, mas “o mesmo encontra-se viajando”. O advogado Marco Aurélio Bdine, que defende a professora Carmem Caballero, disse à Folha que o médium terá um prazo de 15 dias para apresentar sua defesa, o que significa que a decisão do juiz só deve sair no final deste mês.

A tragédia ocorreu no dia 18 de julho de 2007, quando um Airbus-A320, vindo de Porto Alegre (RS), saiu da pista de Congonhas, cruzou a av. Washington Luis e bateu no prédio do depósito da TAM, provocando um incêndio e a morte de 199 pessoas.

Os restos mortais da mãe de Carmem foram os últimos a serem identificados. Professora aposentada, ela morava em São José do Rio Preto e tinha viajado ao Sul com as duas netas.

Paulista de Olímpia (434 km da capital), Sacchetin é médico oftalmologista e, entre seus livros espíritas, está “JK, Caminhos do Brasil” (Lachâtre, 2006), apresentado como depoimento do espírito do ex-presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976).

Fonte: Folha Online