O colunista do jornal New York Times Thomas L. Friedman disse à BBC Brasil que a conferência de Annapolis é o ”processo de paz dos que têm medo” e que é esse sentimento que aproximou os Estados Unidos, o governo de Israel e a Autoridade Palestina.

”Não é que eles estejam vendo um novo amanhecer. O que eles sentem é uma nova ameaça, que uniu a eles todos”, afirmou o jornalista, que venceu o Prêmio Pulitzer duas vezes, por coberturas de conflitos no Oriente Médio, e que acompanhou a conferência realizada na capital do Estado de Maryland, perto de Washington.

Mas Friedman advertiu que um processo de paz movido pelo medo e não por ideais comuns esbarra em algumas limitações.

”O medo do predador, quer ele se chame Irã ou Hamas, só leva você até certo ponto. Para que um processo de paz sustentável seja implantado, é preciso que haja uma visão comum, que os dois lados estejam dispostos a se ajudar. Ainda não sei se é esse o caso.”

Resultados

O grupo palestino Hamas, rival do Fatah de Abbas, é classificado como uma organização terrorista pelos Estados Unidos, pela União Européia e por Israel.

Já o Irã é visto como um fator desestabilizador no Oriente Médio e, segundo os Estados Unidos, fornece armas e treinamento a insurgentes no Iraque.

A despeito das dúvidas sobre a conferência em Annapolis, o colunista acredita que ela poderá mostrar resultados a médio e longo prazo.

”Todos sabemos os obstáculos que eles (os líderes presentes) enfrentam. Só será possível dizer qual o significado deste encontro em três anos, nove meses ou seis meses. Daí, iremos olhar para trás e dizer: ‘Puxa, aquilo deu início a uma coisa séria’. Ou então, o contrário: ‘Puxa, aquilo ali não deu em nada’.”

Para o jornalista, ”ser julgado durante a execução do processo, não importa”. O que importa, acrescenta, é o grau de compromisso demonstrado por israelenses e palestinos”.

Bandidos x mocinhos

”As pessoas dizem que este evento é apenas uma oportunidade de posar para fotos, mas fotos podem ser muito importantes, porque elas criam imagens e imagens criam esperança e a esperança estimula a imaginação, que, por sua vez oferece novas possibilidades.”

Entre as possibilidades que Friedman gostaria que a conferência de Annapolis criasse seria um maior ousadia por parte das vozes moderadas do Oriente Médio.

”No Oriente Médio, os bandidos vão até o fim e os mocinhos desistem na metade do caminho. Os moderados precisam ser tão determinados quanto os terroristas, tão focados quanto os extremistas.”

Fonte: BBC Brasil