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Meio milhão de pessoas já assinaram uma petição internacional para que o Papa Francisco condene a união entre os homossexuais e não autorize a comunhão para os divorciados que voltarem a casar. O documento foi impulsionado por um grupo de católicos conservadores.

Porém, segundo o padre Anselmo Borges, a tendência de abertura da Igreja a novas realidades parece ser já uma inevitabilidade.

A petição “Súplica Filial a Sua Santidade o Papa Francisco sobre o Futuro da Família” está circulando principalmente na Europa, Estados Unidos e América Latina, reunindo milhares de assinaturas, entre as quais a do duque de Bragança.

Com esta posição pública, os católicos de alas consideradas mais conservadoras em relação à moral sexual querem pressionar o Papa para que tome uma posição sobre estes temas polêmicos no Sínodo da Família, cuja assembleia se reunirá de novo já em outubro.

“É errado dizer que estas questões já foram rejeitadas no Sínodo anterior. O que aconteceu foi que não houve uma maioria de 2/3 necessária à sua aprovação, mas houve uma maioria de elementos do Sínodo que votaram a favor”, explicou ao DN o padre Anselmo Borges. No primeiro encontro dos bispos, em outubro do ano passado, debateu-se o acesso ao sacramento da comunhão dos católicos que se divorciaram e recasaram civilmente, tendo a maioria dos bispos votado a favor de uma reflexão aprofundada sobre esta matéria.

Atualmente, estes católicos não podem comungar a hóstia na missa porque, mesmo divorciados, aos olhos da Igreja continuam unidos pelo sacramento do matrimônio, incorrendo em situação de adultério quando voltam a casar.

Em relação às uniões homossexuais, o Sínodo há um ano demonstrou também uma abertura inédita da Igreja. O próprio Papa, em declarações públicas, tem mostrado posição de grande proximidade e acolhimento dos homossexuais, sublinhando que a Igreja deve saber acolher todas as pessoas.

Só que os subscritores da petição “Súplica Filial a Sua Santidade o Papa Francisco sobre o Futuro da Família” consideram que as informações que vieram a público na altura do Sínodo geraram uma “desorientação generalizada causada pela possibilidade de que se tenha aberto no seio da Igreja uma brecha que permite a aceitação do adultério mediante a admissão à Eucaristia de casais divorciados recasados civilmente – e até mesmo uma virtual aceitação das próprias uniões homossexuais”. E acreditam que “uma palavra esclarecedora” do Papa “será a única via capaz de superar a crescente confusão entre os fiéis. Ela impediria a relativização do próprio ensinamento de Jesus Cristo, e dissiparia as trevas que se projetam sobre o futuro dos nossos filhos”.

Entre os subscritores conhecidos da petição estão o cardeal Burke, um dos responsáveis do Vaticano mais críticos ao acesso dos recasados à comunhão, bispos e arcebispos, bem como responsáveis de organizações ligadas aos movimentos pró-vida.

No que diz respeito à comunhão de casais divorciados, Anselmo Borges considera que, atualmente, a Igreja está confrontada com uma espécie de contradição: “Por um lado, as pessoas divorciadas não estão excomungadas mas, por outro, não lhes é permitido comungar. É como convidar um grupo de pessoas para jantar e não deixar que três ou quatro comam”, disse o teólogo, acrescentando que, por exemplo, na Espanha um “um grupo de teólogos de renome internacional” já iniciou um movimento contrário ao da “Súplica Filial a Sua Santidade o Papa Francisco sobre o Futuro da Família”. “Pedem mais abertura e a integração dos casais homossexuais”, disse.

Segundo o jornal inglês Times, outros cardeais e arcebispos também já assinaram a petição.

[b]Fonte: DN Globo – Portugal[/b]