Três homens, um deles armados, ameaçaram uma igreja protestante e o seu pastor em Ancara, capital da Turquia, no último dia 6 de maio. Os bandidos fugiram em um carro antes que a polícia pudesse ser chamada.

A tentativa de ataque foi o sétimo incidente nos últimos quatro meses de ameaça com violência contra a pequena comunidade protestante na Turquia, a maior parte dela formada por ex-muçulmanos convertidos ao cristianismo.

Pouco depois das seis da tarde do dia 6, três homens dirigiram um carro azul até a igreja Kurtulus, no distrito Cebeci, em Ancara. Um homem forte, de aproximadamente 45 anos, foi até a porta que estava trancada e começou a tocar a campainha insistentemente.

“Onde está o pastor? Estamos procurando pelo pastor”, ele disse para um membro da igreja que estava por perto lavando o carro.

O membro da igreja, que esperava um amigo, explicou que a igreja estava fechada e que o pastor não estava, e sugeriu que voltassem no domingo, quando a igreja estaria aberta para o culto, entre as 11 e 13 horas.

“Então, você está envolvido nisso?” perguntou o homem. “Estou”, respondeu o rapaz. “Por que você procura pelo pastor?”

O suspeito ignorou a pergunta e perguntou novamente se o pastor estava. Quando o membro da igreja repetiu que seria melhor que ele voltasse no domingo, o homem respondeu: “Vamos acabar com o pastor!”

Ameaça com revólver e livramento

O suspeito se virou e voltou para o carro, onde estavam mais dois passageiros. Depois, um homem de meia idade saiu do carro portando uma pistola e foi em direção do membro da igreja apontando a arma e gritando.

“Corri uns 20 metros e o homem me seguiu por um tempo, até que então nós dois paramos. Ele me encarou por alguns segundos, voltou para o carro e eles foram embora”, contou a testemunha.

A agência de notícias “Anatolian”, agência semi-oficial, disse em uma reportagem que os agressores estavam bêbados. Mas o membro da igreja, que esteve com eles, disse que não havia nenhuma indicação de que os homens estivessem sob influência de álcool.

Apesar de a igreja Kurtulus ter instalado uma câmera de segurança há um ano, pouco depois do assassinato de três cristãos em Malataya a facadas, a gravação foi acidentalmente interrompida quando o computador ao qual a câmera é conectada foi desligado, depois do culto de domingo.

O pastor da igreja Kurtulus, Ihsan Ozbek, e dois membros da igreja passaram a maior parte da noite passada com os policiais responsáveis pela investigação do caso. “A polícia parece estar levando a sério a ameaça e o incidente”, disse o pastor.

Um dos membros da igreja lembrou: “Eles com certeza não querem que aconteça nenhuma violência contra cristãos na capital!”
“Infelizmente, essas coisas acontecem repetidamente aqui na Turquia”, disse o pastor Ihsan ao Compass. “Espero que o Estado faça algo, porque não temos como nos proteger.”

O pastor ecoou o comentário feito pelo presidente da Aliança das Igrejas Protestantes Turcas no culto em memória aos mártires de Malataya realizado em Istambul no dia 20 de abril ( leia mais): “O povo turco precisa decidir. Vão continuar nos matando ou nos permitirão louvar a Deus em paz?”

Agressores não eram jovens

Um dos líderes da igreja Kurtulus disse ao Compass que é algo significativo que os suspeitos deste incidente sejam homens de meia idade e não jovens. Os ataques e as ameaças acontecidos contra os cristãos turcos foram, durante dois anos, atribuídos a jovens, muitos deles menores de 18 anos de idade.

O homem acrescenta que os agressores foram à igreja durante o dia, sem cobrir os rostos, mostrando claramente que estavam armados, mas tomando o cuidado de não deixar suas impressões digitais (o suspeito que portava a pistola vestia luvas).

O incidente do dia 8 foi o sétimo de uma série de ataques e ameaças que os protestantes turcos vêm enfrentando nos últimos quatro meses.

Há dez dias, a polícia informou a um cristão turco em Ancara que uma pessoa envolvida em um plano para atacá-lo fora presa.

O suspeito, de 30 anos, que segundo a polícia está na prisão e respondendo a um processo, já havia visitado a igreja e tentado conseguir uma reunião particular com o pastor.

Os últimos incientes registrados contra cristãos

No mês passado, na província de Kocaeli, situada a cerca de 80 quilômetros de Istambul, uma igreja protestante em Derice foi apedrejada por duas noites seguidas por jovens não identificados. Várias janelas foram quebradas. A polícia foi chamada depois de ocorrido o incidente.

No início de março, os membros da congregação protestante em Gaziantep receberam uma enxurrada de ameaças por telefone. Não apenas os membros receberam as ligações, mas seus familiares e locais de trabalho.

Uma família européia que assistiu a um culto em uma igreja no distrito de Uskudar, em Istambul, recebeu a visita da polícia de segurança no dia 14 de fevereiro. Com alegações de estarem investigando uma queixa de que o casal estaria envolvido em “atividades missionárias”, os policiais à paisana interrogaram os cristãos por 50 minutos.

Apesar de ser a lei turca não proibir que se faça proselitismo, os policiais bombardearam o casal com acusações infundadas e os ameaçaram de ter os vistos revogados.

Em 25 de janeiro, a Igreja Protestante Izmit sofreu um ataque. Cinco homens apedrejaram o templo e quebraram a janela do gabinete pastoral. Um agressor continua respondendo a um processo por começar um incêndio na porta da frente da igreja e atirar com arma de fogo em frente à igreja em setembro do ano passado.

Na primeira semana de janeiro, um adolescente de 17 anos foi preso por posse de arma depois que a polícia ouviu um telefonema dele onde ameaçava fazer um “massacre” contra a Igreja Samsun Ágape, que fica na costa do Mar Negro. O menino continua respondendo a um processo, apesar de os juízes terem libertado-o e de ele ter faltado à primeira audiência em março.

Os protestantes turcos denunciaram 19 incidentes de violência contra suas igrejas e seus membros durante o ano de 2007.

Fonte: Portas Abertas