As duas meninas cristãs paquistanesas que estavam desaparecidas no início do mês em Faisalabad foram casadas à força com homens muçulmanos, de acordo com certidões de casamento aparentemente falsificadas entregues às famílias delas.

O documento referente à menina de 16 anos indica que o matrimônio aconteceu 12 dias antes do desaparecimento dela, e no registro da menina de 11 anos foi escrito que ela tem 18 anos.

A polícia parece protelar os esforços para recuperar as meninas, enquanto o advogado que as representa se esforça para registrar uma ocorrência contra a omissão dos oficiais na cidade de Punjab.

“Este tipo de incidente está aumentando em Faisalabad”, disse o representante da Comissão de Direitos Humanos do Paquistão ao Compass.

Quando Zunaira Rasheed, 11 anos, desapareceu da casa dela no bairro de Warispura, em Faisalabad, no dia 5 de agosto, inicialmente a mãe dela relutou em ir à polícia.

Abida Parveen temia que as notícias do desaparecimento arruinassem a “honra” da filha e com isto a chance dela se casar, segundo registrou o jornalista paquistanês Qaiser Felix ao “Asia News”.

Golpe

Enquanto procurava pela filha, um muçulmano do bairro, Rana Azher, se aproximou de Abida e se ofereceu para a ajudá-la, em troca de dinheiro.

“Vimos sua filha com Muhammad Adnan”, disse Rana Azher. A mãe cristã foi imediatamente para a casa de Adnan, mas não permitiram que ela entrasse.

Desesperada, Abida juntou 12 mil rúpias (R$ 475) para pagar Rana Azher, a fim de que ele negociasse o retorno da filha.

Rana Azher conseguiu a cópia da certidão de matrimônio entre Rasheed e Adnan e não fez nada mais para ajudar a mãe cristã.

“Infelizmente, eu descobri muito tarde que esses homens só queriam dinheiro”, disse Abida. “Vendi tudo que eu tinha e não foi o bastante. Agora estou só”, disse esta mãe ao “Asia News” no dia 22 de agosto.

A certidão, com data de agosto 9, foi assinada pelo clérigo muçulmano Kareem Muhammad Ramazan, de Lahore, e deu o nome de Fatima Bibi (indicando a conversão dela ao islã) a Zunaira Rasheed, declarando ainda que ela tem 18 anos e não 11 anos.

Apesar do nome e diferença de idade, a família de Zunaira não tem dúvidas de que Fatima Bibi é a filha deles porque no registro há o endereço da casa dela e o nome do pai.

Abida Parveen, a mãe, registrou uma queixa na polícia local. Ela trabalha como uma empregada em casas muçulmanas, sustenta quatro filhos e disse que a filha estava prometida para se casar com um parente.

“Eles são uma família muito pobre de uma área onde as pessoas são casadas muito cedo”, disse o jornalista Qaiser Felix.

Segundo caso

Em um segundo incidente, Shamaila Tabassum, 16 anos, desapareceu a caminho do hospital para visitar o pai, pois soube que ele tinha sofrido um sério acidente.

A família da menina cristã ficou preocupada depois que o pai chegou do trabalho em perfeitas condições de saúde.

Os tios dela disseram que a viram no caminho do hospital. Eles estavam de bicicleta. Ela, num carro, com três vizinhos muçulmanos: Mohammad Mazhar, a irmã dele Naseem Akhter e Zheer Ahmad. Havia também um quarto homem desconhecido.

Ao ver os tios, o carro parou e ela lhes contou que o pai havia sido hospitalizado.

Preocupado com a segurança da filha, o pai de Shamaila visitou a casa do vizinho muçulmano Mohammad Mazhar à noite, disse o advogado Khalil Tahir.

“A casa estava fechada”, disse o pai e os familiares dele disseram que não sabiam onde ele estava.

No último dia 18 de agosto, o pai de Shamaila registrou uma ocorrência na delegacia de polícia de Sadar, acusando o vizinho de seqüestrar a filha dele. No depoimento, disse estar preocupado que sua filha fosse obrigada a se converter ao islã.

No dia 22 de agosto à noite, Rana Javed , um membro do Conselho de Elahiabad, o visitou e entregou um certificado do matrimônio da filha dele com Mohammad Mazhar.

“Agora sua filha se converteu ao islã, assim não há nenhuma necessidade de ir à Corte”, disse Rana Javed ao pai da menina.

De acordo com a certidão, Shamaila Tabassum e Mohammad Mazhar foram casados por um xeique muçulmano na cidade de Sargodha, a 60 quilômetros de Faisalabad.

Mas o documento era datado de 4 de agosto, 12 dias antes do desaparecimento dela. Um claro indicativo de fraude.

Embora os paquistaneses com menos de 18 anos não possam efetuar transações legais, inclusive de conversão e matrimônio sem o consentimento do guardião ou dos pais, muitos juízes fecham os olhos à lei para favorecer os muçulmanos em casos contra cristãos.

Fonte: Portas Abertas