Quando criança, ele foi colocado em um trono e adorado por monges que o tratavam como um deus. Duas décadas depois, o garoto que foi apontado pelo Dalai Lama como a reencarnação de um líder espiritual causa consternação entre os budistas ao virar as costas à ordem que depositou nele altas esperanças.

Ao invés de levar uma vida monástica, Osel Hita Torres, hoje com 24 anos, estuda cinema em Madri e, com suas calças largas e cabelos compridos, está mais próximo de Jimi Hendrix que de Buda.

“Com 14 meses de idade já me haviam reconhecido e me levado à Índia. Eles me vestiram com um gorro amarelo, me sentaram em um trono. Eles me tiraram da minha família e me enfiaram em uma situação medieval que me fazia sofrer muitíssimo”, afirma.

“Era como viver uma mentira”, contou Torres esta semana em entrevista ao jornal espanhol El Mundo, lembrando como saiu do anonimato em Granada, na Espanha, para ser levado ao mosteiro de Sera, na Índia, onde viveu confinado dos 6 aos 18 anos, até fugir e renunciar ao nome de Lama Tenzin Osel Rimpoché, encarnação do venerável Lama Yeshe.

“A infância é o período mais importante da vida, porque é quando a pessoa se forma, e a minha foi frustrante e cheia de sofrimento”, conta Torres. “Há muitos aspectos em que ainda preciso amadurecer: convivência, sociabilidade, conhecer-me melhor e saber quem sou.”

Em parte, o jovem se refere às relações com as mulheres. Durante os 12 anos que passou confinado, sob rígidas ordens religiosas, o “jovem Lama” ficou sem televisão e futebol, na companhia de cinco mil monges homens.

Hoje, Torres experimenta o que é namorar.

Fonte: UOL