O bispo Julius Jia Zhiguo, da Igreja Católica clandestina voltou para casa com uma escolta policial após o encerramento dos Jogos Paraolímpicos.

No dia 24 de agosto, fizeram com que ele “desaparecesse”, a fim de impedi-lo de ter possíveis contatos com jornalistas. Julius havia aberto sua casa para cerca de cem crianças excepcionais de sua diocese.

Bispo clandestino de Zhengding (Hebei), Julius foi levado para casa na noite de 18 de setembro. No momento, ele está em prisão domiciliar sob vigilância policial 24 horas por dia, impossibilitado de se encontrar com qualquer fiel ou clérigo de sua diocese.

O bispo foi pego no dia 24 de agosto pela manhã, logo após a missa e poucas horas antes do encerramento dos Jogos Olímpicos. Os guardas que o pegaram não apresentaram nenhuma justificativa para a ação.

Alguns fiéis contaram ao AsiaNews que a remoção dele de Zhengding (a cerca de 300 km de Pequim) foi interpretada como uma ação para impedi-lo de se encontrar com quaisquer jornalistas ou oficiais das equipes de pessoas portadores de deficiências durante as Paraolimpíadas que ocorreram na capital de 6 à 17 de setembro.

Julius Jia Zhiguo é famoso por dar abrigo a cem crianças que foram abandonadas em razão de serem deficientes ou de serem meninas. Essa última razão se deve ao fato de que as famílias chinesas tendem a preferir meninos.

Aos 73 anos de idade, ele já passou 15 anos na prisão (de 1963 a 1978) e desde 1989 tem sido vigiado de forma intensa pela polícia. Durante esse mesmo período, ele foi preso e solto 12 vezes.

Tendo em vista que ele é uma figura-chave da igreja clandestina, a polícia tem tentado convencê-lo a se juntar à Associação Patriótica, a organização do partido que busca construir uma Igreja Católica Nacional.

Fonte: Portas Abertas