Número de pessoas nas missas tem aumentado até durante a semana. Comunicado da diocese tem orientado católicos a não frequentarem local.

Mesmo após a Diocese de Guaxupé (MG) emitir um comunicado pedindo aos fiéis que não frequentassem a “Igreja Católica Independente”, criada pelo padre André Aparecido da Silva, o número de pessoas que assistem as missas tem crescido em Alfenas (MG). Os encontros, que antes eram realizados somente aos domingos, agora estão sendo realizados também durante a semana, sempre com dezenas de pessoas presentes.

A “Igreja Católica Independente” de Alfenas foi fundada no final de abril, depois que o Padre André, que ficou à frente da Paróquia de São Sebastião e São Cristóvão por cerca de seis anos, foi afastado de suas funções pela diocese de Guaxupé (MG), conduzida pelo bispo Dom José Lanza Neto. Com a saída da diocese, o padre foi excomungado.

O galpão onde estão sendo ministradas as missas da nova igreja tem cerca de 600m², 300 cadeiras e espaço para pelo menos mais 100 pessoas em pé. As despesas estão sendo divididas entre os próprios fiéis. As celebrações são como qualquer outra da Igreja Católica, com cantos, orações e eucaristia. As únicas diferentes, até o momento, são a realização do casamento de pessoas divorciadas e o batismo de filhos de mães solteiras. Nada que incomode quem frequenta as missas, como conta a auxiliar de contabilidade Cláudia Galvão.

“Não é o fato de não ser a Igreja Católica Romana que vai fazer eu parar de acompanhar o padre André ou não, porque eu acho que missa dele, a celebração, me faz um bem enorme”, diz Claúdia.

[b]Entenda o caso[/b]

Padre André comprou em nome da igreja um terreno de 26 mil metros quadrados, enquanto estava à frente da Paróquia de São Sebastião e São Cristóvão, em Alfenas. Algum tempo depois, ele vendeu parte dele. O dinheiro, segundo ele, foi usado para construir um estacionamento, reformar a igreja e comprar a casa paroquial. As negociações conduzidas pelo padre foram denunciadas ao bispo de Guaxupé, com a suspeita de que os valores apresentados à Diocese eram diferentes do que haviam sido recebidos.

“O bispo alegou que eu não fiz uma devida prestação de contas dos valores, mas isso depois que ele pediu nós fizemos. Desse valor todo, tiramos boa parte para cobrir o todo dos terrenos, fizemos a aquisição desta casa (paroquial), fizemos ainda a reforma de imóveis como igrejas da zona rural e urbana e também a reforma de casas de famílias carentes, o que não foi aceito. A maior crítica que ficou nas entrelinhas foi essa reforma de casas de famílias carentes, que não foi aceita”, disse o padre André Aparecido da Silva.

Em um decreto do bispo, de setembro do ano passado, a Diocese afirma que não teve as questões administrativas bem explicadas e que o próprio padre teria dito em uma celebração que estava deixando a paróquia, momento em que teria ofendido o bispo. A solução, segundo um outro documento, seria o que a Igreja chama de ato de humilhação diante de Deus, com pedido de perdão à Santa Igreja e ao bispo. O padre ainda teria que ficar um ano afastado das funções, o que não aconteceu. Diante da criação da nova igreja, o bispo decidiu excomungar o padre.

Por telefone, o bispo da Diocese de Guaxupé, Dom José Lanza Neto, disse que não vai se pronunciar sobre o caso.

[b]Fonte: G1[/b]