A metade das crianças latino-americanas vive “virtualmente” sob a linha da pobreza, disse o vice-presidente do Comitê para os Direitos da Criança das Nações Unidas, Norberto Liwski.

As “recorrentes” crises econômicas da região na última década fizeram aumentar o número de menores de idade que são obrigados a trabalhar, afirmou o funcionário, que mencionou o exemplo da Argentina.

O número de crianças que trabalham na Argentina aumentou de 210.000 em 2001 para 1,2 milhões em 2003 por causa das conseqüências da crise econômica enfrentada por este país.

Liwski, que está no México para transmitir ao Governo mexicano as recomendações do comitê em relação a suas políticas sobre infância, mencionou Bolívia, Guatemala, Honduras, El Salvador e Equador como países da região onde há a maior quantidade de trabalho infantil.

A maior parte dos menores latino-americanos que trabalham estão no campo, onde é mais difícil o acesso aos mecanismos de proteção social, diz a ONU.

O vice-presidente do comitê dos Direitos da Criança da ONU também responsabilizou o abandono dos estudos pela ampliação do trabalho infantil.

“O investimento em educação não se manteve em equilíbrio com a expansão das políticas de aumento de matrícula”, disse Liwski, que afirmou que a idade de abandono escolar está entre os 12 e 13 anos na América Latina.

O funcionário disse que as crises econômicas na região também facilitaram o aumento do turismo sexual pelo crime organizado.

“Faltam ferramentas idôneas legalmente para proteger as crianças”, lamentou o funcionário da ONU.

Fonte: EFE