Quatro cristãos evangélicos da igreja “Crescendo em Graça”, de San Juan Chamula, a 10 quilômetros de San Cristóbal de las Casas, Estado de Chiapas, foram assaltados por um grupo de homens armados no dia 31 de janeiro. O ataque deixou um cristão seriamente ferido.

Agustin Gomez, 21, Carlos Perez Gonzalez, 24, Andres Gomez Gomez, 15, e Santos Jiménez Perez, 13, voltavam de San Juan Chamula para casa, depois de buscar água para suas casas (não há água potável nem água encanada em sua aldeia). Atiradores, escondidos na estrada, começaram a disparar contra eles. Depois disso, os agressores fugiram.

Agustin Gomez e Carlos Perez foram hospitalizados em San Cristobal. Carlos teve cinco ferimentos de bala no peito e recebeu tratamento para hemorragia interna e choque. Sua situação ainda é séria. As feridas de Agustin foram tratadas e então ele foi dispensado.

Uma queixa formal foi registrada. A promotoria pública indígena começou uma investigação para localizar os suspeitos e os acusar de agressão em circunstâncias agravantes e tentativa de assassinato.

Piores casos de intolerância

O Estado de Chiapas abriga os piores casos de intolerância religiosa do país. San Juan Chamula, encravado no planalto de Chiapas, é a municipalidade com a perseguição mais severa e antiga de índios evangélicos. Ela é dirigida, na maioria das vezes pelos caciques, ou por poderosos chefes da comunidade. Os caciques praticam uma religião “tradicionalista”, um misto de crenças católicas romanas e a antiga religião maia.

Os caciques tradicionalistas se mostraram inimigos veementes, especialmente dos cristãos, porque eles vêem o cristianismo protestante reduzir o controle deles em relação aos aldeões locais. Quando um aldeão se torna cristão, ele automaticamente deixa de beber o posh – uma bebida alcoólica produzida pelos caciques – e deixa de participar das festividades pagãs, o que resulta em perda de renda para os caciques.

Na comunidade de Galeana, municipalidade de La Independencia, nove cristãos foram presos em 20 de janeiro por 24 horas. Eles se recusaram a contribuir e a ajudar na preparação das festas de 8 de maio. Os cristãos foram libertados depois que o prefeito do município interveio – e só depois que se comprometeram por escrito em pagar uma multa, respeitando “acordos internos” e contribuindo para a “estabilidade social” da comunidade. O prefeito também permitiu que a igreja presbiteriana, “Jesus, o Único Caminho”, reabrisse recentemente, depois de ter sido fechada pelos mesmos caciques.

Em Huixtan, os caciques locais mandaram 65 cristãos deixarem suas casas na região de Los Pozos em 6 de janeiro. A exigência foi feita porque os cristãos se recusaram a apoiar financeiramente as festividades católicas tradicionalistas, das quais eles não participam mais. Reynaldo Gómez Ton, pastor da Igreja Asas de Águia, disse: “Eles querem nos expulsar porque não queremos contribuir com as festas deles”.

Os cristãos pediram a intervenção imediata do governo de Estado e da Agência de Assuntos Religiosos, para evitar que eles fossem expulsos. O governo interveio no caso. Mas, no dia 21 de janeiro, os caciques proibiram os evangélicos de irem à zona rural para juntar lenha. No dia 30 de janeiro, vários desses homens chegaram às casas dos cristãos com enxadas e pás e interromperam o fornecimento de água de 10 famílias evangélicas.

Os cristãos também perderam direito aos benefícios do governo para camponeses, através do Procampo (Programa de Apoio ao Campo). Esse programa distribui fertilizantes e herbicidas para melhorar a produção agrícola e pecuária.

O pastor Gomez Ton afirmou que o prefeito de Huixtan, Javier Martinez Vargas, “não tem feito nada para evitar [a ameaça] de expulsão”. Em vez disso, ele disse que “esse ato resulta dos hábitos e costumes da comunidade de Los Pozos”, e que “[os caciques] devem se preocupar com os direitos individuais e a liberdade religiosa das pessoas”.

Pressão por justiça

A igreja do pastor Gómez Ton tem sido há muito tempo alvo de ataques. Há treze anos, ele e dez outros evangélicos, entre eles mulheres e crianças, foram encarcerados pelos caciques e o edifício da igreja foi destruído. A igreja foi destruída novamente em 2003, e, em 2005, duas mulheres cristãs foram estupradas por caciques.

O pastor indígena culpou o ex-conselheiro da cidade Delfino Mendez Ton pelos abusos. Embora a repartição do distrito para Justiça Indígena, situado em San Cristóbal, tenha ordenado uma investigação, “nunca aconteceu investigação alguma e o caso permaneceu impune”, pastor Gómez Ton disse.

A Portas Abertas tem auxiliado na defesa desse caso, por meio de um conselho de advogados e do pastor Esdras Alonso. Tenta-se pressionar as autoridades para exercer a justiça e a tolerância religiosa. Embora a promotoria pública no planalto de Chiapas tenha recebido uma queixa formal denunciando a agressão, ela não agiu de acordo com a lei, que garante liberdade religiosa na comunidade e pune os perpetradores da injustiça.

Fonte: Portas Abertas