Estudo apresentado pela Associação de Gays e Lésbicas na Alemanha mostra que imigrantes jovens rejeitam mais a homossexualidade que seus colegas de classe alemães. Um dos fatores de rejeição seria a religiosidade.

“Acho repugnante quando vejo dois homossexuais se beijando na rua”, com esta frase concordaram metade dos jovens que responderam às perguntas de um estudo realizado pela Universidade de Kiel entre mil alunos berlinenses e apresentado pela Associação de Gays e Lésbicas na Alemanha (LSVD), na terça-feira (25/09), em Berlim.

Pelo estudo realizado entre alunos do ensino médio, a rejeição à homossexualidade está mais presente em jovens do sexo masculino de origem turca e russa. Jovens rapazes alemães são, por sua vez, quatro vezes mais preconceituosos que suas colegas de classe.

Como explicação pela rejeição assumida por jovens principalmente de origem migratória estão a identificação com os tradicionais papéis masculinos e a religiosidade. Representante das Comunidades Turcas na Alemanha adverte que a miséria e o baixo nível educacional também seriam fatores importantes.

Entre as meninas, a rejeição é menor

Pelo estudo, a concordância com a afirmação “Rejeito um casal homossexual se beijando na rua” constatou-se em 48% dos rapazes alemães entrevistados, entre aqueles de origem russa, ela é de 76% e, entre os de origem turca, esta cifra se eleva a 79%.

Entre as meninas, a rejeição é menor: 57% das turcas e 63% das russas concordaram com a afirmação. Somente 10% das alunas alemãs admitiram repugnar o beijo gay.

Os jovens entre 14 e 20 anos também responderam perguntas relativas à orientação sexual dos filhos e à igualdade de direitos para homossexuais. Dos rapazes alemães, mais de um terço respondeu que teria feito algo errado, se seu filho ou filha fosse homossexual. Cerca de 70% dos turcos são da mesma opinião, com a qual também concorda a metade dos escolares de origem russa.

Com a igualdade de direitos entre heterossexuais e homossexuais estão de acordo 74% dos alunos alemães, 47% dos russos e somente 38% dos alunos turcos. Para o responsável pelo estudo, Bernd Simon, professor de psicologia da Universidade de Kiel, a rejeição à homossexualidade por parte de migrantes turcos está fortemente ligada à religiosidade.

Não somente no Islã

Simon afirma que a diferença estaria na forma como se vivencia a religiosidade. “Perguntamos se a pessoa se considera religiosa. E aqui podemos apontar: quanto mais alguém diz ‘eu me oriento pela religião’, mas forte a tendência para a homofobia”.

O psicólogo também aponta para a influência negativa da religiosidade sobre outros grupos de imigrantes, por exemplos, nos filhos de imigrantes da antiga União Soviética. Desta forma, os preconceitos contra homossexuais estariam presentes não somente no Islã, mas também em alguns grupos cristãos.

Tanto entre os alemães como entre os imigrantes, quanto maior a aceitação dos papéis tradicionais masculinos, maior a homofobia, constata Simon. Para o psicólogo, o alarmante do estudo é a constatação de que sexismo e homofobia também andam lado a lado entre os estudantes alemães.

Resultados seriam “questionáveis”

Eren Ühsal, representante das Comunidades Turcas na Alemanha, adverte para não se considerar todos os muçulmanos conservadores como homófobos. Os resultados do estudo seriam chocantes, afirma Ühsal, mas mostram a necessidade de levar, através de pequenos passos, os imigrantes turcos a repensarem sua forma de comportamento. Além disso, Ühsal chama a atenção para a melhoria das condições de vida dos imigrantes.

Eles seriam vítimas de muita discriminação, vivendo freqüentemente na pobreza e com baixo nível educacional. “Estes também são fatores importantes”, afirmou Ühsal, salientando ainda que muitos deles seriam provenientes de famílias tradicionais, caracterizadas por estruturas camponesas e patriarcais.

Para a política do Partido de Esquerda Heidi Knake-Werner, secretária de Integração de Berlim, os resultados do estudo seriam “questionáveis”, principalmente pelo fato de ele ter sido realizado em uma cidade aberta e tolerante, cujo “político mais querido é justamente gay”, em alusão ao prefeito de Berlim, Klaus Wowereit (SPD). Ela sugere que o tema seja discutido em cursos de ética e integração.

O responsável pelo estudo comenta que não se deve esperar que todas as minorias sejam, algum dia, aceitas por todos. Trata-se, principalmente, de deixar que os outros vivam em paz.

Fonte: DW World