Milhares de peregrinos cristãos vindos de todo o mundo acompanharam ontem com devoção a véspera da crucificação de Cristo em Jerusalém, onde é reconstituída a última ceia com seus discípulos e a oração no Jardim do Getsêmani.

As comemorações da Quinta-feira Santa se iniciaram pela manhã com uma missa pontifical no Santo Sepulcro, na qual foi realizada a cerimônia do Lava-pés de 12 membros da comunidade cristã, semelhante à feita por Jesus com cada um de seus discípulos.

O Evangelho destaca que o Lava-pés que antecedeu a Santa Ceia representa uma mostra do amor fraterno, que começa pelos mais necessitados.

Ao meio-dia a Basílica – onde amanhã, Sexta-feira Santa, será encerrada a procissão da Via-Sacra – fechou suas portas por alguns minutos, reabrindo-as posteriormente, seguindo uma tradição que lembra a véspera da crucificação de Cristo.

As ruas de pedra da cidadela antiga de Jerusalém se encheram de peregrinos de várias religiões cristãs, que se amontoavam junto a sacerdotes que os serviam de guias para acompanharem de perto a jornada pascal na qual Jesus instituiu a Eucaristia e o amor fraternal.

Do centro da Cidade Santa os peregrinos se dirigiram à tarde ao Cenáculo para a cerimônia da última ceia, acompanhando uma procissão de frades franciscanos que terminou com um emocionado “Pai Nosso” recitado em vários idiomas.

Os franciscanos também leram em italiano, espanhol, árabe, francês, inglês, alemão, hebraico e latim várias passagens do Evangelho nos quais eram descritos os fatos ocorridos durante o jantar pascal hebreu que aconteceu em uma quinta-feira.

O Cenáculo é um local sagrado, disputado pelo Vaticano e que está sob controle do Estado de Israel desde que este o ocupou em 1948; só é aberto aos católicos duas vezes ao ano, na Quinta-feira Santa e em Pentecostes.

“É o local onde Jesus celebrou a última ceia, onde é lembrado o mandamento do amor, a Eucaristia, e aqui Jesus aparece para os apóstolos após sua ressureição”, explica a salesiana Mercedes Mateos, coordenadora de uma irmandade em Jerusalém.

O simbólico oratório foi seguido no fim da tarde por uma missa na Basílica da Agonia, junto ao Jardim do Getsêmani, onde Jesus se retirou para orar antes de ser entregue por seu discípulo Judas e detido pelos guardas do templo.

Ali a noite é lembrada com uma prece silenciosa conhecida como “Hora Santa” ou “oração do jardim”, onde oito oliveiras milenares de tronco retorcido são fiéis testemunhas da passagem do tempo.

O frei franciscano Jesús Baraona, destaca a grande convergência de peregrinos latino-americanos.

“Vimos muitos vindos do Brasil, México, Colômbia, Equador, Peru, Argentina, de todo América Latina. Este é o lugar mais significativo do cristianismo, onde foi santificado Jesus Cristo”, explica.

Fonte: EFE