O Ministério da Saúde pretende vacinar, hoje, 15 milhões de crianças de zero a cinco anos em todo o País contra a poliomielite. A meta corresponde a 95% dos menores dessa faixa etária.

A doença chega de forma silenciosa. Em 90% a 95% dos casos não apresenta sintoma algum. Mas, uma entre 200 pessoas infectadas pelo polivírus sofre paralisia, principalmente nos membros inferiores. Em alguns casos, a doença é fatal.

Também conhecida como paralisia infantil, a poliomielite foi erradicada oficialmente no Brasil desde 1994. O último registro da doença ocorreu em 1989. Os números oficiais, no entanto, não são motivo para comemoração. Acomodada com as estatísticas, a população tem procurado cada vez menos a vacina. Nos últimos anos, o Ministério da Saúde não conseguiu atingir as metas de vacinação.

Em 2007, 39,3% dos 5.564 municípios brasileiros não alcançaram a meta de vacinação na 1ª etapa e 39,7% na 2ª etapa. Na primeira etapa, Santa Catarina registrou o maior percentual (68,9%) de municípios com cobertura abaixo de 95% e Pernambuco o menor (4,8%). Já na segunda fase, Roraima obteve o maior percentual (93,3%) e Pernambuco continuou com o menor percentual (3,2%).

“A população acha que está imune”, garante a consultora técnica do Ministério da Saúde, Marlene Tavares. “Mas ainda há risco porque em outros países a doença é endêmica, acontece todos os anos.”

Treze países

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 1.313 casos foram registrados em 13 países no ano passado. Em 2008, até o dia três de junho, já haviam sido confirmados 522 casos da doença no mundo. O aumento foi significativo se comparado ao mesmo período de 2007. Afeganistão, Índia, Nigéria e Paquistão ainda são países considerados pólio-endêmicos.

Como a maioria das doenças ligadas à higiene, a pólio é característica dos países em desenvolvimento.

“Não pode bobear”

Com o slogan “Tem que vacinar. Não pode bobear”, a campanha do ministério recebeu, em 2008, investimento de R$ 11,7 milhões para a compra de 28 milhões de doses de vacina e R$ 5,8 milhões foram repassados aos Estados.

O ministério estima que 200 mil pessoas entre profissionais de saúde e voluntários estarão envolvidos na vacinação, que será realizada em 70 mil postos de saúde.

Não há contra-indicação absoluta à vacina. Mas crianças qeu apresentem febre acima de 38º C, diarréia ou vômito deve evitá-la. Crianças que fazem tratamento com corticosteróide, antimetabólicos, radiação ou a qualquer terapia imunossupressora não devem tomá-la.

Em Brasília, a Secretaria de Saúde montou um esquema com postos volantes. Além dos centros de saúde, pode-se encontrar a vacina nos postos montados em supermercados, escolas e shoppings.

Este ano serão distribuídas 300 mil doses para atender a 221.916 crianças. A cidade foi uma das que não atingiu a meta do ministério nos últimos anos. Em 2007, chegou a apenas 88,3%. Os brasilienses têm uma preocupação especial com a reintrodução do vírus. A capital abriga dezenas de embaixadas e recebe pessoas do mundo todo.

Fonte: JB Online