O pastor da Assembleia de Deus de Várzea Grande que teria acobertado o assédio de um soldado da Polícia Militar a uma garota de 12 anos assinou um termo circunstanciado pelo Ministério Público do Estado (MPE), por difamação e exposição de adolescente a vexame.

Conforme depoimentos dos familiares da garota, o pastor R.C. teria exposto, durante uma cerimônia religiosa, que a menor de idade trocava mensagens sexuais com seu genro, o militar F.O.S.

Os familiares da garota, atualmente com 13 anos, contaram que o soldado enviava vídeos e fotos de cunho sexual à menor.

De acordo com os depoimentos, após ficar ciente da situação, o pastor pediu que o caso não fosse levado à Polícia, pois seria resolvido dentro da própria instituição religiosa.

O líder religioso lavrou uma ata na igreja, onde determinou que o PM e a garota deveriam ficar afastados do local.

O rapaz deveria ficar 60 dias sem frequentar nenhuma cerimônia religiosa e a garota deveria se ausentar da Igreja durante 90 dias.

[img align=left width=300]http://midianews.com.br//storage/webdisco/2015/08/10/438×291/199f72d7d03942a1dc6c87204a8b87cf.jpg[/img]Também em depoimento à Polícia Civil, o padrasto da jovem afirmou que, no dia seguinte à assinatura da ata, o pastor contou a toda a igreja sobre o caso entre a garota e o suspeito.

Em entrevista ao MidiaNews, o padrasto da garota, que prefere não ser identificado, contou que a revelação do pastor gerou constrangimento a toda família e à adolescente.

“Queremos justiça, pois o pastor expôs a criança para toda a igreja. Ele usava o microfone para difamar a garota. Que tipo de pastor faz isso?”, questionou.

O militar, que teria assediado a menor, também assinou termo circunstanciado junto ao MPE por perturbação à tranquilidade. A família da jovem, porém, quer converter o caso para pedofilia.

“Queremos que o caso seja convertido para pedofilia, pois algo tem que ser feito. É uma situação que envolve uma menor de idade. Isso que aconteceu cabe como pedofilia, sim”, afirmou o padrasto.

De acordo com a assessoria de imprensa do MPE, os termos circunstanciados são utilizados em crimes de menor potencial ofensivo.

[b]Assédio de PM[/b]

Em depoimento à Polícia, a menor contou que conheceu o policial na igreja, há dois anos. Na época, ele era noivo da atual esposa, filha do pastor.

Em fevereiro de 2014, após dois meses de casado, ele enviou a primeira mensagem à menor, dando “boa noite”. Depois, o soldado passou a enviar outras mensagens.

“Certa vez, ele tentou lhe agarrar na cozinha de sua casa, estavam sozinhos, mas o sogro dele chegou e ele a largou”, diz trecho do depoimento.

Apesar de receber inúmeros vídeos de cunho sexual do rapaz, ela nunca teria cedido aos pedidos dele para que também enviasse imagens de suas partes íntimas.

Porém, havia mandado imagens de sutiã e fotos de blusa e short.

[b]Descoberta do caso[/b]

Conforme denúncia feita à Polícia, o militar atuava como líder de um grupo de jovens na Igreja Evangélica a qual a família frequentava.

Um dos pastores da unidade é R.C, que é sogro do PM.

Em depoimento à Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Várzea Grande, a mãe da garota relatou que o caso de assédio foi descoberto em março deste ano.

Conforme consta no depoimento, o padrasto da garota contou que chamou F.O.S. e o pastor da igreja, sogro do militar, para conversar.

Durante o encontro, o rapaz teria admitido que mandou mensagens para a menor em um “momento de bobeira” e pediu desculpas.

Ainda conforme o depoimento, após conversar com o genro, o pastor teria conversado com a menor e pedido para que o assunto fosse encerrado, pois “se a filha descobrisse o caso, ela se separaria do PM”.

Após esse episódio, a menor relatou à mãe que o oficial estava casado há dois meses, quando começou a lhe enviar mensagens e vídeos pornográficos.

Nas imagens que recebia do homem, a menor relata que ele se masturbava dentro da viatura de trabalho, no corredor da Polícia Militar e, até mesmo, dentro do banheiro da casa do pastor.

[b]Corregedoria da PM[/b]

A mãe da garota denunciou o caso à Corregedoria da Polícia Militar de Mato Grosso, que está investigando a situação.

A conduta de F.O.S. será analisada pela PM, que definirá quais sanções poderão ser aplicadas ao militar, caso as investigações comprovem o assédio à menor de idade.

[b]Outro lado[/b]

A reportagem entrou em contato com o pastor, que afirmou que não estava em condições de comentar o caso.

O líder religioso limitou-se a dizer que, conforme a Bíblia, situações como essas devem ser tratadas “dentro da própria igreja”.

[b]Fonte: MídiaNews[/b]