O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, defendeu ontem que a sociedade brasileira decida se quer a legalização do aborto. Ele conversou sobre o assunto com o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que, no último Dia Internacional da Mulher, se disse favorável à legalização.

Em entrevista publicada no último domingo no jornal fluminense “O Dia”, Temporão defendeu a realização de um plebiscito sobre o tema. Um projeto prevendo o plebiscito foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Em Portugal, a população aprovou o aborto no dia 11 de fevereiro.

“Existe uma ferida aberta na sociedade brasileira. São milhares de mulheres que morrem todos os anos por fazerem abortos em situações inseguras. É um problema de saúde pública. Como meu objeto de trabalho é a saúde do povo, com certeza essa questão me interessa. Mas o que eu acho mais saudável é que a gente abra essa discussão, para que a sociedade opine e o país possa encaminhar uma solução adequada”, afirmou Temporão.

Ele disse ainda que encomendou um estudo a técnicos do ministério para aperfeiçoar outro motivo de polêmica com a Igreja Católica: a distribuição de preservativos e pílulas anticoncepcionais. O ministro afirmou que o modelo atual, no qual o governo federal centraliza as compras e faz a distribuição para todos os municípios do país, não é eficiente.

“O Ministério da Saúde vem falhando de maneira bastante grave. O fato é que os casais e as mulheres que procuram por esses métodos não os encontram com regularidade. Minha proposta é mudar radicalmente essa estratégia.”

Licença-maternidade

Temporão também endossou seu apoio ao projeto de lei -em discussão no Senado- que amplia de quatro para seis meses a licença-maternidade, mudança que vários municípios já adotaram.

No encontro com Cabral, o ministro acertou a criação na região metropolitana do Rio de 33 “unidades de atendimento pré-hospitalar fixo”, chamadas pelo governador de superpostos 24 horas. O governo federal financiará 23 delas, investindo R$ 500 mil em cada.

Mas as dez primeiras unidades, com inaugurações previstas ainda para este ano, serão custeadas pelo Estado do Rio e ficarão localizadas em áreas consideradas de risco.

As favelas da Rocinha (zona sul) e da Cidade de Deus (zona norte) e os complexos do Alemão e da Maré (ambos na zona norte) estão entre os possíveis pontos de instalação, que deverão ser anunciados no próximo mês de abril.

Um dos objetivos é oferecer estrutura aos moradores para que eles não procurem os hospitais de emergência, hoje sobrecarregados.

Segundo Temporão, experiências feitas no Rio de Janeiro poderão servir de modelo para ações em outros Estados.

Fonte: Folha de São Paulo