O ministro do Interior de Israel vetou uma proposta de declarar seis locais de tradição cristã isentos de apropriações pelo Estado judaico às vésperas de uma visita do papa Bento 16, informaram autoridades israelenses na segunda-feira.

A indefinição dos direitos de zoneamento nos santuários de propriedade do Vaticano, incluindo a Igreja da Anunciação em Nazaré e a Igreja da Multiplicação, no Mar da Galiléia, prejudica as relações entre Israel e a Santa Sé, estabelecidas em 1993.

Com vistas a coroar a visita de Bento 16 entre 11 e 14 de maio com um avanço notável, um comitê interministerial israelense propôs um acordo tornando os sítios inacessíveis a confiscos estatais. As minorias não-judias reclamam com freq¼ência que os confiscos atingem seus territórios de forma desproporcional.

“Isso é muito relevante, porque gostaríamos que o papa pudesse tornar público o acordo quando viesse”, disse uma autoridade israelense familiar com as deliberações. “O mundo católico há muito tempo vê essa questão em especial como um sinal de má vontade de nossa parte.”

Apesar disso, quando foi convocado nesta semana para aprovar a proposta, o ministro do Interior israelense, Eli Yishai, líder de um poderoso partido ultra-ortodoxo no governo de coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, recusou-se a fazê-lo.

“Essa questão está sob a autoridade do ministro e ele não está preparado para sacrificar a soberania israelense, ainda que seja apenas simbólica”, disse o porta-voz de Yishai, Roi Rachmanovitch.

O que complica ainda mais a disputa é o fato de que um dos sítios em discussão, o Jardim do Getsêmani, fica em Jerusalém Oriental (árabe), capturada por Israel na guerra do Oriente Médio de 1967 e anexada em uma ação não reconhecida pela comunidade internacional.

Os palestinos querem estabelecer a capital de um futuro Estado palestino em Jerusalém Oriental e provavelmente se ressentiriam de qualquer proposta do Vaticano que aparentaria conferir reconhecimento ao controle israelense.

“Tudo o que buscamos são garantias de que eles (os sítios) não sejam tomados no futuro”, afirmou uma fonte da Igreja Católica em Roma.

A decisão de Yishai pode ser derrubada em uma votação do ministério israelense, informaram fontes políticas. O gabinete de Netanyahu não comentou se uma votação estava nos planos.

Autoridades israelenses descreveram a visita de Bento 16 como uma chance de reduzir as tensões provocadas pelas ações do Vaticano no caso do bispo que negou o Holocausto e à sua presença em uma conferência da ONU sobre racismo, onde o presidente do Irã discursou contra o sionismo.

Após registrar uma queda no turismo em razão do levante palestino iniciado em 2000, Israel também espera que o papa estimule a peregrinação por parte do mundo católico.

Fonte: G1