Declarações do ministro da Cultura egípcio, Farouk Hosni, sobre sua oposição ao véu islâmico suscitaram críticas do influente grupo islâmico Irmãos Muçulmanos, que considera seu uso um mandamento islâmico.

A polêmica se desencadeou na quinta-feira passada, quando o ministro, em declarações ao jornal egípcio “Al-Masri al yom”, assegurou que o uso do véu por parte das mulheres representa “um retrocesso”.

“As mulheres, com seu formoso cabelo, são como as flores que não devemos cobrir ou ocultar das pessoas”, ressaltou Hosni, que acrescentou que a religião muçulmana não impôs o véu à mulher.

Os Irmãos Muçulmanos reagiram exigindo que o titular de Cultura peça desculpas por suas declarações ou que, caso contrário, seja destituído de seu posto.

Ambas as partes se mantêm firmes em suas posições, já que em declarações publicadas hoje pela imprensa local, o titular da pasta de Cultura afirmou que não se desculpará nem se retratará de suas opiniões sobre o véu.

“Não pedi o abandono do uso do véu. Minha opinião pessoal é de que o verdadeiro véu é a conduta e a consciência. Eu, pessoalmente, prefiro que a mulher não o use, e se tivesse uma esposa a proibiria de usar”, afirmou o ministro.

“Não me desculparei porque não cometi nenhum erro. Manifestei minha opinião pessoal”, insistiu Hosni, acrescentando, em referência a seus críticos e aos conservadores e radicais islâmicos em geral, que se deve “abandonar a cultura de desqualificar e de aterrorizar o outro”.

Além disso, o ministro destacou que ele sempre se mostrou disposto a um diálogo no qual todos expressem suas opiniões com liberdade, e disse estar disposto a apresentar sua renúncia perante o Parlamento, “no qual o povo está representado”.

A resposta dos Irmãos Muçulmanos foi imediata e Hamdi Hassan, porta-voz dos deputados desse grupo na Câmara, pediu “a destituição do ministro para substituí-lo por outro que respeite a Constituição, a Lei Islâmica e os valores (religiosos) da sociedade egípcia”.

O pedido está em comunicado que exorta o xeque Mohammed Tantaui, Grande Imame de Al Azhar, a mais prestigiosa instituição religiosa do Islã sunita, e o xeque Ali Goma, o Mufti do Egito, a máxima autoridade religiosa muçulmana do país, a manifestar sua opinião sobre a declaração de Hosni.

Por sua parte, o número dois dos Irmãos Muçulmanos, Mohammed Habib, qualificou as declarações de Hosni como um “retrocesso à libertinagem”.

O ministro, acrescentou Habib, “aproveita qualquer ocasião para atacar o Islã a fim de ganhar fama às custas da religião”.

Fonte: EFE