Durante sua intervenção no ato de instalação das Jornadas de Reflexão sobre Teologia da Libertação, no marco da comemoração dos 90 anos do natalícia de monsenhor Oscar Arnulfo Romero, o ministro do Poder Popular para Relações Interiores e Justiça da Venezuela, Pedro Carreño, disse que sente orgulho daqueles sacerdotes nacionais e internacionais que foram ao evento, apesar das pressões exercidas por parte de setores da cúpula da Igreja Católica venezuelana.

Carreño assinalou que “quando alguém quer sair do redil de assumir uma postura conservadora, então querem impor-lhe sanções e utilizar o poder da coação. Não há o convencimento pela palavra, com o exemplo, e a razão. Mas o convencimento dá-se através da imposição, e isso observamos no Brasil e em Salvador, onde dois sacerdotes foram sancionados pelo Vaticano.”

O ministro indicou que esta prática não está muito longínqua, já que no marco deste evento setores da cúpula da Igreja Católica venezuelana utilizaram mecanismos de pressão contra sacerdotes, ameaçando-os de perderem suas paróquias, caso participassem do evento.

“A quem temem? Ou será que a Igreja cristã não está interessada em lutar pelos mais frágeis, pelos que mais sofrem, pelos que não comem”, questionou o ministro.

Em meio a esse cenário, Carreño deu as boas-vindas aos compatriotas sacerdotes venezuelanos e manifestou estar orgulhoso de contar com homens de valentia que, apesar das pressões e ameaças de serem retirados de suas paróquias, compartilham com o povo, debatendo temas de interesse supremo para o desenvolvimento e a promoção do ser humano.

Quanto à posição assumida pelo Estado venezuelano, o ministro manifestou que o que se pretende não é instituir o pensamento uniforme. Ele frisou que é justamente na “diversidade, no debate e na discussão que se rescindem as idéias” e que cada um deve assumir suas posturas.

As Jornadas de Reflexão sobre a Teologia da Libertação ocorreram ontem e hoje, em diferentes comunidades da área metropolitana de Caracas. A organização dos eventos esteve a cargo da Fundação Latino-Americana pelos Direitos Humanos e o Desenvolvimento Social (Fundalatin), a Cooperativa Monsenhor Benítez, a Universidade Católica Santa Rosa de Lima, o Grupo de Sacerdotes Leigos e Leigas e o Encontro Ecumênico Juan Vives (Ecuvives).

Fonte: ALC