FG News: Muçulmanas reivindicam releitura de textos sagrados

Postado em: 26-10-2006 A ensa√≠sta e m√©dica marroquina Asma Lamrabet disse que mulheres mu√ßulmanas reivindicam a ‚Äúreleitura‚ÄĚ dos textos sagrados do Islamismo, com o prop√≥sito de corrigir as interpreta√ß√Ķes ‚Äúmachistas‚ÄĚ das quais foram objeto durante s√©culos.

Asma participou, na semana passada, do encontro ‚ÄúMulheres Isl√Ęmicas e Direitos Civis‚ÄĚ, organizado nesta capital pelo Instituto da Mulher da Espanha e a ONG Movimento pela Paz. O evento reuniu mulheres do Marrocos, Arg√©lia, Iraque, Jord√Ęnia, Afeganist√£o e Palestina.

A ensa√≠sta marroquina defendeu a reivindica√ß√£o dos direitos da mulher dentro do Islamismo e a corre√ß√£o das ‚Äúleituras machistas e mis√≥ginas‚ÄĚ que monopolizaram a jurisprud√™ncia isl√Ęmica. Ela afirmou que existe um movimento de mulheres no mundo mu√ßulmano que busca a releitura dos textos sagrados.

A sharia (lei isl√Ęmica), explicou Asma, √© uma interpreta√ß√£o jur√≠dica humana, ‚Äún√£o √© o Alcor√£o‚ÄĚ. Ela defendeu uma reforma jur√≠dica isl√Ęmica radical e sublinhou que o denominador comum nos pa√≠ses isl√Ęmicos √© a jurisprud√™ncia, na qual as mulheres tratam de modificar o discurso mis√≥gino (de desprezo √†s mulheres). Entre os poss√≠veis passos para uma reforma gradual, a ensa√≠sta mencionou iniciativas como as verificadas no Marrocos, onde 23 mulheres foram nomeadas im√£s (l√≠deres religiosas).

Quanto ao uso do v√©u, Asma destacou que √© preciso deixar as mulheres decidir o que querem. ‚ÄúN√£o se pode impor o v√©u, √© uma recomenda√ß√£o isl√Ęmica que eu adotei por convic√ß√£o pessoal, mas ningu√©m deve me dizer o que devo ou n√£o devo fazer‚ÄĚ, afirmou.

A secret√°ria geral de Pol√≠ticas de Igualdade da Espanha, Soledad Murillo, instou as mu√ßulmanas a abrirem debate para reivindicar o seu protagonismo na vida p√ļblica. Se as mulheres ‚Äúcarregam‚ÄĚ os s√≠mbolos, elas tamb√©m dever carregar as decis√Ķes, advertiu.

Ela assinalou que o colonialismo e a humilha√ß√£o sofridas pelos pa√≠ses isl√Ęmicos como conseq√ľ√™ncia da ocupa√ß√£o europ√©ia influenciou de modo negativo no seu desenvolvimento social, heran√ßa que perdura na atualidade, embora se debilite a cada dia mais.

Os problemas que afetam hoje em dias essas mulheres tornam-se cada vez mais agudos, uma vez que o movimento leigo feminista desses pa√≠ses tem uma concep√ß√£o ocidentalizada que faz com que elas pretendam ‚Äúlibertar as mu√ßulmanas do Islamismo‚ÄĚ, o que Murillo considera incorreto.

A op√ß√£o √© desenvolver o que sustenta um setor das mulheres isl√Ęmicas, que aspira ‚Äútrabalhar e refletir num espa√ßo que concilia fidelidade ao Islamismo como mensagem espiritual de refer√™ncia e abertura sobre valores universais, que devemos compartilhar como mulheres e seres humanos‚ÄĚ, assinalou.

Essa fidelidade deve considerar que o Alcor√£o fala de concerta√ß√£o, cumplicidade, amor no matrim√īnio e de liberdade de escolha da mulher. J√° a jurisprud√™ncia isl√Ęmica atual fala de obedi√™ncia absoluta da mulher ao marido, da autoridade masculina, do matrim√īnio sob tutela for√ßada e de matrim√īnios arranjados sem o consentimento da mulher.

Por esse motivo, ‚Äúdeve-se promover a releitura do Alcor√£o, tanto por mulheres como por homens, pois h√° muitos deles que est√£o a favor de uma releitura, que devemos impulsionar e que beneficiar√° a todos n√≥s‚ÄĚ, defendeu Murillo.

Fonte: ALC