FG News: El Pais: Imigração judia inverte tendência declinante em Israel

Postado em: 05-01-2010 "A 'aliya' [emigração judia para Israel] não é só o objetivo histórico supremo de nosso Estado, mas uma necessidade de primeira ordem para nossa segurança." As palavras que o primeiro-ministro David Ben Gurion pronunciou em um discurso no Knesset [Parlamento de Israel] em 1955 continuam hoje mais válidas que nunca, a julgar pelos esforços israelenses para atrair judeus de todo o mundo.

Esses esforços, em forma de todo tipo de incentivos, deram seus frutos este ano, em que a crise financeira animou milhares de judeus de todo o mundo a instalar-se em Israel.

Em consequ√™ncia, pela primeira vez em uma d√©cada, o n√ļmero de imigrantes judeus no pa√≠s experimentou um forte aumento diante da tend√™ncia declinante dos √ļltimos anos, segundo os √ļltimos dados da Ag√™ncia Judia, encarregada de promover esse tipo de imigra√ß√£o, e do Minist√©rio de Absor√ß√£o. A demografia nessa zona disputada do mundo √© uma quest√£o pol√≠tica de primeira ordem que preocupou sucessivos governos israelenses, diante do forte crescimento da popula√ß√£o √°rabe. Esta semana aterrissou em Tel Aviv mais um avi√£o com 210 americanos a bordo, e na pista os esperava uma recep√ß√£o oficial com todas as honras.

"Cada imigrante que chega a Israel fortalece o pa√≠s e constitui um ativo estrat√©gico", afirmou o presidente da Ag√™ncia Judia, Natan Sharansky, durante a apresenta√ß√£o das √ļltimas estat√≠sticas h√° alguns dias, que refletem um aumento de imigrantes judeus de 17% em 2009 em rela√ß√£o ao ano anterior. Ao todo, assentaram-se em Israel 16.200 judeus, que se somam aos mais de 3 milh√Ķes de imigrados desde 1948, data da cria√ß√£o do Estado.

Os ideais religiosos e sionistas continuam ocupando lugar de destaque entre os motivos dos imigrantes. Mas também explicam que as ajudas que o governo israelense oferece às vezes são decisivas na hora de tomar a decisão, sobretudo quando a crise financeira aumenta em boa parte do mundo.

"A crise criou novas necessidades e o Estado de Israel facilita o caminho para que as pessoas decidam vir. Todo judeu tem de viver na Terra Santa. Nós damos liberdade a cada um para que decida o que desejar, mas também facilitamos esse desejo", explica o diretor geral de Imigração e Absorção da Agência Judia, Eli Cohen.

O governo israelense oferece aos que vêm a chamada "cesta de absorção", com dinheiro para alugar uma moradia nos primeiros meses e aulas de hebraico para a família, além de programas de emprego especiais para doutores ou professores, junto com as facilidades do chamado tapete vermelho, o programa através do qual os que chegam conseguem carteira de identidade, conta em banco e telefone em 24 horas, evitando a burocracia. Mas talvez o incentivo mais eficaz seja a recém-instaurada isenção fiscal de dez anos para as receitas obtidas no exterior.

"Sem essas vantagens fiscais eu não teria me animado a vir. Tenho aluguéis de meu apartamento na França e na verdade...", admite Serge Buzagou, que há alguns meses deixou Paris para se instalar perto de Tel Aviv. Com a chegada da crise, os clientes deixaram de comprar em sua loja de tecidos em Paris e, animado por seus ideais sionistas, finalmente decidiu emigrar. "Aqui a crise foi menos notada e embora o mercado nacional seja menor que na França, como a escola das crianças é grátis e a vida mais barata, no final compensa", diz Buzagou, 48 anos, em seu apartamento com vista para o mar.

Enquanto isso, as centenas de milhares de palestinos que em 1948 foram expulsos ou fugiram do avan√ßo das tropas israelenses de suas casas, hoje em territ√≥rio israelense, n√£o tiveram nem t√™m o direito de voltar a suas casas. At√© hoje, mais de 4 milh√Ķes daqueles expulsos e seus descendentes vivem amontoados em campos de refugiados em Gaza, na Cisjord√Ęnia e em pa√≠ses vizinhos.

Fonte: El Pais