FG News: Doleiro confirma remessa à Igreja Universal

Postado em: 29-04-2010 Segundo depoimentos, igreja teria enviado R$ 5 milh√Ķes por m√™s para os EUA entre 1995 e 2001. Universal nega as acusa√ß√Ķes; advogado de um dos doleiros que prestaram depoimento afirma que clientes fizeram acordo de dela√ß√£o premiada.

Doleiros ouvidos anteontem pelo Minist√©rio P√ļblico de S√£o Paulo confirmaram que a ag√™ncia de c√Ęmbio Diskline, do Rio, hoje desativada, realizou remessas de dinheiro clandestinas para contas banc√°rias nos Estados Unidos supostamente relacionadas √† Igreja Universal do Reino de Deus. Segundo o jornal "O Estado de S. Paulo", uma das s√≥cias da empresa informou ter realizado, em m√©dia, remessas de R$ 5 milh√Ķes por m√™s, entre 1995 e 2001.

Em 25 de outubro passado, a Folha de S√£o Paulo revelou que o Minist√©rio P√ļblico havia tido acesso a documentos apreendidos na Diskline que demonstravam a remessa de, pelo menos, R$ 18 milh√Ķes para contas ligadas √† Iurd nos EUA. A reportagem informou que os doleiros respons√°veis pela Diskline na √©poca das opera√ß√Ķes eram Cristiana Marini e Marcelo Birmarcker - ambos foram ouvidos anteontem pelos promotores.

Procurado, o advogado da Iurd, Antonio Pitombo, estava em reuni√£o. Em ocasi√Ķes anteriores, negou as acusa√ß√Ķes.

O Minist√©rio P√ļblico informou que o promotor Saad Mazloum, respons√°vel pela investiga√ß√£o, n√£o daria √† imprensa informa√ß√Ķes sobre o assunto.

Relat√≥rios que indicam as remessas para a Universal foram elaborados pela Assessoria de An√°lise e Pesquisa da Procuradoria-Geral da Rep√ļblica, em Bras√≠lia, tendo por base achados da Pol√≠cia Federal e da CPI do Banestado. Os dados foram levados pelos promotores ao conhecimento do governo dos EUA, em dezembro, por um acordo de coopera√ß√£o internacional. A Promotoria de Nova York j√° ouviu os dois doleiros e tamb√©m investiga o caso.

Segundo os registros da Diskline, as remessas ocorreram pelo sistema de dólar-cabo, rede clandestina que opera à margem do Banco Central. O doleiro recebe os recursos no Brasil e ordena uma transferência entre duas contas localizadas fora do Brasil.

Ontem, o advogado de Birmarcker, Carlos Kenigsberg, informou à Folha que seu cliente e Cristiana fizeram na Justiça Federal acordo de cooperação judicial, mais conhecido como delação premiada, pela qual os réus podem obter benefícios judiciais, como redução da pena, desde que forneçam elementos concretos que permitam elucidar os crimes investigados.

Fonte: Folha de S√£o Paulo