Ci√™ncia & Sa√ļde: C√©lula-tronco agiliza cicatriza√ß√£o de queimadura grave, aponta estudo

Postado em: 24-11-2010 A célula-tronco mesenquimal, que vem de um precursor da medula óssea, acelera cicatrização de feridas geradas por queimaduras graves, conforme constatado por pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.

O estudo utilizou as células-tronco em ratos que tinham queimaduras de terceiro grau em aproximadamente 40% da superfície corporal queimada. No teste, houve ratos que receberam as células e os que não receberam, sendo que ambos tinham sofrido queimaduras. Enquanto no segundo grupo os animais tiveram uma porcentagem de cicatrização de 80%, 60 dias após a queimadura , no primeiro grupo quase todos tiveram 100% da superfície queimada cicatrizada nesse período.

‚ÄúO efeito se deve ao uso das c√©lulas-tronco mesenquimais, que s√£o respons√°veis por gerar tecidos da linhagem mesod√©rmica, como osso, cartilagem, m√ļsculo e derme‚ÄĚ, explica a bi√≥loga Carolina Caliari Oliveira, autora da pesquisa.

Ela comenta que ainda não se sabe exatamente como a célula atua no corpo de modo a agilizar a cicatrização. Uma das hipóteses está relacionada a um dos efeitos que a célula ocasiona. Carolina percebeu que os animais tratados apresentaram maior quantidade de tecido de granulação (tecido provisório que é formado quando há alguma lesão) e de vasos sanguíneos na região queimada após o tratamento, o que pode ajudar na cicatrização.

Al√©m da cicatriza√ß√£o mais r√°pida, os animais tratados tamb√©m apresentaram melhorias quanto a outros efeitos de queimadura grave. ‚ÄúA queimadura dessa gravidade comumente causa efeitos sist√™micos como hipermetabolismo e a S√≠ndrome da Resposta Inflamat√≥ria Sist√™mica (SIRS), que √© uma inflama√ß√£o exagerada. Em um segundo momento, o grande queimado desenvolve imunossupress√£o sist√™mica, que diminui a resposta imunol√≥gica do paciente, deixando-o sujeito a infec√ß√Ķes graves‚ÄĚ, aponta Carolina. A bi√≥loga explica que a c√©lula mesenquimal pode ser capaz de suprimir a resposta imunol√≥gica exagerada num primeiro momento, ajudando a controlar a SIRS

Al√©m disso, no estudo se observou que no s√©timo dia ap√≥s a queimadura os ratos tratados mantiveram o equil√≠brio de c√©lulas do sistema imunol√≥gico. Segundo Carolina, a manuten√ß√£o do equil√≠brio entre as c√©lulas TCD4 e TCD8, ambos linf√≥citos, √© importante para um bom progn√≥stico do paciente queimado. ‚ÄúAp√≥s queimaduras graves, a quantidade de linf√≥citos TCD8 pode aumentar consideravelmente, o que n√£o √© bom para o paciente. As c√©lulas mesenquimais podem ter auxiliado no equil√≠brio original deles, com mais TCD4 e menos TCD8‚ÄĚ.

Tratamento

As c√©lulas-tronco mesenquimais usadas advieram de medulas √≥sseas de camundongos, as quais foram cultivadas em laborat√≥rio. Elas s√£o colocadas em placas de cultivo feitas de pl√°stico. Quando cultivadas em um meio de cultura especial, ap√≥s alguns dias e certos procedimentos, somente as c√©lulas mesenquimais aderem ao pl√°stico das placas de cultivo. Depois, aplicam-se com uma seringa as c√©lulas-troncos mesenquimais ao redor das regi√Ķes queimadas.

A pesquisa fez parte da disserta√ß√£o de mestrado de Carolina pela FMRP, sob orienta√ß√£o do professor J√ļlio C√©sar Voltarelli. A bi√≥loga destaca que seu estudo foi o primeiro a testar as c√©lulas mesenquimais em modelo experimental de queimaduras graves. Sobre a aplica√ß√£o em seres humanos, ela comenta que ‚Äúo modelo experimental n√£o √© perfeito, mas √© a melhor ferramenta que dispomos para mimetizar o que acontece com seres humanos‚ÄĚ.

A biologa pretende dar continuidade ao seu estudo em seu doutorado pela FMRP. ‚ÄúA ideia agora √© utilizar c√©lulas mesenquimais de seres humanos, que podem ser obtidas da veia do cord√£o umbilical e do tecido adiposo‚ÄĚ.

Fonte: UOL