FG News: Caroline Celico: princesa em S√£o Paulo, desconhecida em Madri

Postado em: 03-12-2010 Mulher do jogador Kaká, a pastora Caroline Celico passou a semana em São Paulo, foi ao show de Paul McCartney quase escondida e só apareceu mesmo para prestigiar a mãe

A paulistana Caroline Celico, de 23 anos, é delicada, meiga, estudou violão, piano, canto, alemão, francês, inglês, culinária, etiqueta, hotelaria e eventos. Desde que se casou com Kaká, jogador do Real Madrid, há cinco anos, virou referência para muitas mulheres. "Hoje, preciso tomar muito cuidado até com o que eu escrevo no Twitter", diz. "Em Madri, minha vida é mais normal. Lá, sou desconhecida."

Em São Paulo a história é outra. A pedido do Real, o jogador veio à cidade para fazer uma bateria de exames. Caroline e o filho Luca, de 2 anos, vieram também. "Adoro paz, tranquilidade e sossego. Tenho saudade de São Paulo, mas em Madri faço compras no açougue e na quitanda de moletom." O casal passou a semana na capital quase escondido.

Eles foram ao show do Paul McCartney, no Morumbi, e ficaram em um camarote. Assistiram a Tropa de Elite 2 e os amigos e fãs só souberam depois, quando Kaká twitou: "Ontem assistimos a Tropa 2. Sensacional!! E hoje ao vivo está passando Tropa 3", postou Kaká na quinta-feira, referindo-se ao filme Tropa de Elite 2 e à guerra dos traficantes no Rio.

Estrelismo? N√£o. Kak√° √© sucesso de p√ļblico e Caroline, mais assediada do que se possa imaginar. E ela fala e trata com simpatia todo mundo que chega perto. Na quarta-feira, foi ao desfile organizado por sua m√£e, Rosangela Lyra, diretora da grife Dior no Brasil, que fazia quest√£o de sua presen√ßa.

Estrategicamente, ela pulou o coquetel que antecedia o evento, realizado no terra√ßo do Hotel Unique, nos Jardins, zona sul. O sal√£o estava lotado de mulheres da alta sociedade, acima dos 50 anos, que exibiam, numa esp√©cie de disputa, as roupas e acess√≥rios da Dior que tiraram do arm√°rio - al√©m da √ļltima aplica√ß√£o de botox que fizeram no rosto.

Caroline apareceu apenas no momento em que as modelos estavam prontas para pisar na passarela. Usava um vestido de seda floral em tons de creme e uma carteira coral, tudo da Dior. Foi imediatamente rodeada por jornalistas e fãs. "Ah, isso é roupa de produção. Minha mãe que escolheu. Na verdade, costumo vestir roupas bem confortáveis." Ela não liga para grife, não quer saber de moda.

"Durante muitos anos, fui a filha da Rosangela e depois a mulher do Kaká. Hoje estou mostrando quem é Caroline Celico", desabafa. "Por isso, uso o sobrenome do meu pai."

Conselheira. Há pelo menos um ano, Caroline virou pastora. Ela recebe por dia mais de 50 e-mails, de internautas de todas as idades, desiludidos e até deprimidos, pedindo conselhos de como poderiam viver melhor. E ela responde a cada uma de suas "ovelhas".

H√° cinco anos, Caroline e Kak√° se casaram na Igreja Apost√≥lica Renascer em Cristo, no Cambuci, regi√£o central de S√£o Paulo. Ela chegou a ser batizada por um pastor. Dois anos depois, seus fundadores, os bispos Estevam e S√īnia Hernandez, foram condenados pelos crimes de conspira√ß√£o e contrabando de dinheiro a 5 meses de pris√£o domiciliar, mais 2 anos de liberdade condicional e multa de US$ 30 mil para cada um. O casal foi detido ao entrar nos Estados Unidos com US$ 56,4 mil n√£o declarados escondidos em uma bolsa.

"N√£o tenho nenhuma religi√£o. Sou uma pastora crist√£. As pessoas se decepcionam com os homens, n√£o com Deus", explica. Hoje seu p√ļlpito √© a internet. Ela tem ainda um blog, digamos, com textos reflexivos sobre Deus, com um link para baixar suas m√ļsicas. Em junho, houve o pr√©-lan√ßamento de seu CD para 500 convidados. E, como n√£o tinha o intuito de ser um trabalho comercial, segundo ela, as m√ļsicas foram para a internet. No ano que vem, o CD vira DVD.

"Tem gente que acha que ela √© metida, mas isso porque n√£o a conhecem direito", defende a amiga de inf√Ęncia Rachel Belfort, de 22 anos. As duas se conheceram quando Caroline, aos 12 anos, mudou do Col√©gio Santo Am√©rico para o brit√Ęnico Saint Paul. Polida e quieta entre estranhos, quando se solta n√£o para de falar. "N√£o d√° para agradar a todo mundo", diz Rachel.

Bem que Caroline tenta agradar. "Desde pequena tem esse jeito m√£ezona. Sempre cuidou das amigas. Quando uma delas brigava com o namorado, era para ela que ligava. Se fazia um bolo, chamava todas para comer."

Quando se mudou para a Itália, época em que Kaká foi jogar no Milan, ficou com medo de virar uma dona de casa deprimida e solitária. "Então comecei a trabalhar como uma louca. Abri uma empresa de eventos. E acompanhava o processo nos mínimos detalhes. Do projeto à produção. Achava que se delegasse o trabalho e se não estivesse por perto, algo poderia sair errado. Ficava exausta." Caroline chegou a organizar um casamento italiano de cinco dias.

Depois do nascimento de Luca, a vida religiosa tomou mais espa√ßo. "Minha m√£e me batizou na Igreja Cat√≥lica. Mas vim de uma fam√≠lia m√≠stica em que fal√°vamos e faz√≠amos um pouco de tudo, do espiritismo √† medita√ß√£o... N√£o batizei o Luca. Quero que tenha a liberdade de escolha." Ela d√° uma pausa e completa: "Falei bastante. O Bu (Kak√°) vai agradecer por isso. Vou falar menos em casa." E d√° uma risadinha. O seu iPhone toca. √Č o Kak√°. "Acho que est√° na hora de ir."

Fonte: Estad√£o