FG News: Divórcio ainda é tabu nas igrejas evangélicas

Postado em: 06-07-2011 Na Igreja ainda persiste a ideia de que um crente que chega ao divórcio, seja por qual motivo for, sofreu não apenas uma derrota pessoal, mas, sobretudo, espiritual.

Volta e meia, Jesus Cristo, em seu minist√©rio terreno, era confrontado com perguntas espinhosas. Uma delas, que at√© virou dito popular, dizia respeito √† validade, ou n√£o, de se pagar tributos ao imperador. ‚ÄúDa√≠ a C√©sar o que √© de C√©sar, e a Deus o que √© de Deus‚ÄĚ, a antol√≥gica senten√ßa do Mestre, encerrou a quest√£o. De outra feita, diante da mulher flagrada em adult√©rio, os fariseus tentaram condenar o Filho de Deus por suas pr√≥prias palavras. Caso autorizasse o apedrejamento, estaria contrariando o perd√£o que tanto pregava; se optasse por liberar a pecadora, Jesus seria acusado de desobedecer a lei judaica. Simplesmente, ele fitou seus inquiridores e fez um desafio que ecoa at√© hoje: ‚ÄúQuem estiver sem pecado, que atire a primeira pedra‚ÄĚ.

Contudo, uma das falas do Salvador continua rendendo discuss√Ķes, interpreta√ß√Ķes desencontradas e inquieta√ß√£o. Instado pelos fariseus a responder se era l√≠cito a um homem deixar sua mulher por qualquer motivo, Jesus foi enf√°tico: segundo ele, apenas em caso de adult√©rio o div√≥rcio deveria seria admitido. O que passasse disso seria devido √† ‚Äúdureza do cora√ß√£o‚ÄĚ das pessoas. No momento em que aumenta quantidade de casamentos dissolvidos, na sociedade em geral e dentro da Igreja, a fala de Cristo d√° mesmo o que pensar. Hermen√™utica √† parte, muito mais casais crentes se divorciam hoje do que em tempos idos, quando a ideia de uma separa√ß√£o sequer era cogitada pelos evang√©licos. E h√° argumentos bem razo√°veis para sustentar qualquer posi√ß√£o nesta delicada seara da intimidade humana. A verdade √© que o div√≥rcio hoje faz parte da realidade da Igreja e cada vez mais gente procura maneiras n√£o s√≥ para enfrent√°-lo, como tamb√©m para juntar os cacos e seguir em frente.

Se os levantamentos mostram que o n√ļmero de div√≥rcios no Brasil cresce a cada ano, ainda mais depois que mudan√ßas na legisla√ß√£o facilitaram bastante a dissolu√ß√£o de um casamento, nas igrejas evang√©licas o assunto ainda √© tabu. Persiste a ideia de que um crente que chega ao div√≥rcio, seja por qual motivo for, sofreu n√£o apenas uma derrota pessoal, mas, sobretudo, espiritual. Embora n√£o existam pesquisas quantitativas de div√≥rcio entre os crentes, quem trabalha no pastoreio n√£o tem d√ļvidas ao afirmar que os div√≥rcios est√£o aumentando, n√£o apenas entre membros de igreja, como tamb√©m no meio da lideran√ßa. ‚ÄúEm minha experi√™ncia de vida pessoal e pastoral, nunca testemunhei tantos casos de div√≥rcio no contexto de uma comunidade crist√£‚ÄĚ, atesta o pastor presbiteriano Ricardo Agreste, colunista de CRISTIANISMO HOJE e autor do livro Feito para durar, em que aborda a quest√£o sob a √≥tica b√≠blica.

Apesar da c√©lebre declara√ß√£o ‚Äúat√© que a morte os separe‚ÄĚ, tradicionalmente proferida nos casamentos, o fato √© que muitos outros motivos est√£o fazendo as pessoas dividir as trouxinhas e pular fora. Incompatibilidade de g√™nios, desejo pelo tal ‚Äúespa√ßo pr√≥prio‚ÄĚ, desajustes financeiros, transtornos familiares ou simplesmente esgotamento do amor s√£o alguns dos mais invocados. O que n√£o legitima a decis√£o, na opini√£o do pastor Carlos Fl√°vio Teixeira, da Igreja Adventista. ‚ÄúApenas a hip√≥tese de adult√©rio pode justificar, aos olhos de Deus, a separa√ß√£o ou div√≥rcio do crist√£o‚ÄĚ, aponta o mestre em teologia, que tamb√©m √© advogado. No seu entender, embora a legisla√ß√£o e os costumes facilitem cada vez mais as coisas para quem quer botar ponto final no matrim√īnio, o Evangelho aponta noutra dire√ß√£o. ‚ÄúA lei dos homens d√° op√ß√Ķes que, para a lei de Deus, n√£o podem ser admitidas‚ÄĚ.

‚ÄúSA√ćDA DE EMERG√äNCIA‚ÄĚ

Vinculado √† Conven√ß√£o Geral das Assembleias de Deus, o pastor Josu√© Gon√ßalves √© terapeuta familiar e l√≠der do Minist√©rio Fam√≠lia Debaixo da Gra√ßa, em Bragan√ßa Paulista (SP). ‚ÄúN√£o podemos aceitar a banaliza√ß√£o do casamento, que √© uma institui√ß√£o divina‚ÄĚ, defende. ‚Äú√Č equivocado incentivar uma separa√ß√£o como se fosse coisa normal e sem consequ√™ncias‚ÄĚ. Ele reconhece que cada caso deve ser analisado e tratado individualmente, para que injusti√ßas n√£o sejam cometidas, mas acredita que a quest√£o deve ser vista de forma radical, como o fez Jesus. ‚ÄúSabemos que nem sempre os problemas conjugais podem ser resolvidos. Mas o div√≥rcio nunca deve ser visto como porta de sa√≠da, mas sim, como uma sa√≠da de emerg√™ncia‚ÄĚ.

√Č claro que, em se tratando de aspecto t√£o pessoal da vida, qualquer tribula√ß√£o na vida conjugal causa dores e frustra√ß√Ķes. O que, na opini√£o de Agreste, √© dif√≠cil de administrar. ‚ÄúUma das coisas que mais ou√ßo de casais em crise no gabinete de aconselhamento √© a recorrente frase: ‚ÄėEu tenho o direito de ser feliz‚Äô‚ÄĚ. Na sua √≥tica, isso √© reflexo do hedonismo e do individualismo da cultura secular. E o div√≥rcio sempre tem seu pre√ßo.Quando o gerente de marketing Leonildo Aires Dur√£es, hoje com 37 anos, viu seu casamento de sete anos ruir, teve enorme sentimento de culpa. Criado dentro de um ambiente de conservadorismo evang√©lico, ele foi ao altar com apenas 18 anos ‚Äď e achava que a palavra separa√ß√£o jamais faria parte de sua vida. ‚ÄúRecebi uma educa√ß√£o legalista na igreja Eu tinha o casamento como um ideal, algo para toda a vida‚ÄĚ, conta.

Leonildo era membro da Igreja do Evangelho Quadrangular quando ocorreu a dissolu√ß√£o do casamento. O sofrimento era potencializado por sua idade, uma vez que, aos 25, j√° divorciado e com dois filhos, ele sentia-se um peixe fora d‚Äô√°gua no ambiente evang√©lico. ‚ÄúO descasado na igreja chama a aten√ß√£o de uma forma que n√£o gostaria. Alguns se afastam, j√° que existe muita especula√ß√£o sobre sua vida‚ÄĚ. Passaram-se 12 anos do div√≥rcio e Leonildo reestruturou sua vida, compondo nova fam√≠lia. Casado com Roberta, com quem tem uma filha, Lenildo agora congrega na Assembleia de Deus do Bom Retiro, em S√£o Paulo. E preocupa-se com a situa√ß√£o: ‚ÄúA nova gera√ß√£o quer ser feliz. Se uma uni√£o n√£o d√° certo, basta procurar outro casamento, ou seja, a fila anda. Ningu√©m mais quer sustentar um matrim√īnio frustrante pelo resto da vida. O grande desafio para a Igreja, hoje, √© lidar com essa mentalidade.‚ÄĚ

DOR E SOLIDÃO

Com um livro-depoimento quase pronto sobre o assunto para ser lan√ßado, a jornalista Virginia Martin conhece o peso de um div√≥rcio quando se √© evang√©lico. Ela permaneceu casada por dez anos e, a partir da separa√ß√£o, em 2004, experimentou um misto de dramas e emo√ß√Ķes de que apenas ouvira falar nos bancos de igreja. ‚ÄúUm div√≥rcio tem muitas consequ√™ncias. Precisamos passar a lidar com problemas com filhos, sustento e a pr√≥pria identidade pessoal ‚Äď isso, sem falar na solid√£o‚ÄĚ. Rem√©dio, a bem da verdade, n√£o existe para fazer a dor sumir, mas quem tem a Cristo sai em vantagem. √Č o que diz Virginia: ‚ÄúA maturidade espiritual √© fundamental nessa hora, assim como apoio. Aprendi que amigos s√£o anjos em forma de gente‚ÄĚ. O livro, ainda sem t√≠tulo definido, teve origem a partir de um estudo preparado para a escola dominical da Primeira Igreja Batista de S√£o Gon√ßalo, onde Virginia √© membro com o casal de filhos.

Em seus escritos, ela conta sobre trai√ß√£o, mentiras e a aus√™ncia do ex-marido. ‚ÄúPreferi ficar sozinha a viver um casamento de fachada. A incompatibilidade tornou-se insuport√°vel‚ÄĚ. Segundo ela, ningu√©m deve ser condenado a permanecer numa rela√ß√£o que gera fal√™ncia emocional. ‚ÄúEu reconhe√ßo um Deus amoroso e consolador, paciente e perdoador, que concede a possibilidade de um novo contrato, uma nova alian√ßa, aben√ßoada por ele por sua gra√ßa‚ÄĚ, continua. Embora n√£o esteja, agora, em nenhum relacionamento, ela n√£o exclui a possibilidade. ‚ÄúImagine se todas as pessoas divorciadas, fora ou dentro da igreja, estivessem condenadas a permanecer sozinhas? Haveria uma epidemia de gente muito esquisita andando por a√≠‚ÄĚ, brinca. ‚ÄúH√° gente que foi t√£o infeliz e maltratada no casamento que sequer sabe o que significa uma verdadeira uni√£o‚ÄĚ. Por outro lado, destaca, muitos casais em segundo matrim√īnio s√£o uma b√™n√ß√£o para si mesmos e para os outros. A inten√ß√£o de Virginia √© que a obra possa trazer cura √†s pessoas, assim como fez com ela. ‚ÄúQue o livro leve √† percep√ß√£o de que as feridas que sangram na alma podem ser fechadas‚ÄĚ.

Podem, mas o processo costuma ser dolorosamente longo ‚Äď e, no caso de ministros do Evangelho, acompanhado de muitas cobran√ßas. CRISTIANISMO HOJE fez contato com alguns pastores que se divorciaram, mas quase todos se recusaram a falar ou fizeram quest√£o do anonimato. Mas o pastor, escritor e conferencista Ariovaldo Ramos, da Comunidade Crist√£ Reformada, contou sua experi√™ncia. Logo ele, que passou boa parte do minist√©rio ajudando pessoas a superarem suas crises pessoais e conjugais. No entanto, h√° cinco anos, viu a fam√≠lia constru√≠da havia 22 anos se desmontar com um div√≥rcio. ‚ÄúPerdi grande parte dos que considerava como minha fam√≠lia, que ficou praticamente reduzida √†s minhas filhas‚ÄĚ. Hoje, o religioso j√° ultrapassou a pior fase, mas ainda assim sofre efeitos do que lhe aconteceu. ‚ÄúCheguei a ser muito caluniado.‚ÄĚ

Ariovaldo n√£o engrossa o coro dos crentes que acham que o casamento, ainda mais quando feito dentro da igreja, n√£o pode acabar. ‚ÄúA B√≠blia questiona como duas pessoas poder√£o andar juntas, se entre elas n√£o houver acordo. Ent√£o, sob v√°rios aspectos, o div√≥rcio √© admitido. Mas n√£o √© o ideal ‚Äď deve-se sempre lutar pela manuten√ß√£o do casamento‚ÄĚ. Opini√£o semelhante tem seu colega Luiz Longuini Neto, pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Conhecido por celebrar casamentos de celebridades, como as atrizes Juliana Paes e Deborah Secco, ele defende que uma segunda tentativa possa ser feita ‚Äď e com conhecimento de causa, j√° que divorciou-se tr√™s vezes e est√° no quarto matrim√īnio. ‚ÄúAntigamente, a igreja n√£o estava preparada para lidar o com o div√≥rcio, ainda mais de pastores‚ÄĚ, avalia.

Ele lembra que sofreu muito preconceito quando de sua primeira separa√ß√£o, h√° 25 anos. ‚ÄúContudo, ocorreram muitos avan√ßos‚ÄĚ. Deixando claro que n√£o defende o div√≥rcio, Longuini lembra que, entre os evang√©licos, o matrim√īnio n√£o √© um sacramento, ao contr√°rio do que ocorre no catolicismo. Mesmo assim, o pastor diz que, quando procurado, sempre ajuda casais em crise a recuperarem a uni√£o. ‚ÄúMas, √†s vezes, o fim do casamento √© inevit√°vel. N√£o apenas por uma quest√£o de adult√©rio sexual, e sim, pela quebra do pacto do casamento. Um homem que maltrata a mulher ou uma esposa perdul√°ria, que gasta todos os recursos da fam√≠lia indevidamente, tamb√©m cometem quebra de compromisso matrimonial.‚ÄĚ

DESCANSO NO SENHOR

Um dos caminhos para quem busca um recome√ßo ‚Äď com ou sem companhia ‚Äď depois do div√≥rcio s√£o os minist√©rios voltados os chamados singles, termo gen√©rico que abrange solteiros, vi√ļvos e descasados na igreja. Esses grupos cresceram √† medida em que o div√≥rcio foi se tornando mais tolerado no meio evang√©lico. Eles promovem integra√ß√£o, conv√≠vio, edifica√ß√£o espiritual, suporte emocional e ajuda m√ļtua entre o segmento, que tem demandas bem espec√≠ficas e geralmente n√£o supridas pelas atividades de outros setores das igrejas, como jovens ou casais. Um dos primeiros movimentos do g√™nero surgiu em 1989, na Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro. Chamado O√°sis, no in√≠cio o grupo enfrentou certo preconceito e atraiu apenas seis pessoas. Contudo, mais de 20 anos depois, a associa√ß√£o hoje tem grande atividade na congrega√ß√£o. Al√©m de realizar encontros devocionais e sociais, o O√°sis auxilia o departamento diaconal e atua em servi√ßos assistenciais mantidos pela igreja.

Na Igreja Batista de √Āgua Branca (IBAB), de S√£o Paulo, funciona o Minist√©rio de A√ß√£o e Integra√ß√£o, o Mai, que tem como respons√°vel o pastor Claudio Manh√£es. ‚ÄúTemos observado diversos testemunhos de gente que se integrou √† igreja atrav√©s desse trabalho‚ÄĚ, diz o dirigente. O grupo promove reuni√Ķes quinzenais e realiza um encontro anual, com cerca de 200 pessoas ‚Äď e, volta e meia, novos relacionamentos surgem ali. Mas nem todos os que deles participam est√£o √† procura de uma nova cara-metade. O comerciante Ed√©lcio Edmir Cara√ßa, 54 anos, divorciou-se em 1996, e s√≥ depois aceitou o Evangelho, na Igreja Renascer em Cristo. Mais tarde, transferiu-se para a Primeira Igreja Batista de Perus, onde fez semin√°rio e envolveu-se em diversas atividades. Hoje, √© di√°cono, e permanece sozinho. ‚ÄúMinhas fun√ß√Ķes na igreja e vida espiritual n√£o s√£o afetadas por eu ser divorciado, por√©m, a vida social com os membros da igreja fica mais restrita‚ÄĚ, admite.

Ed√©lcio, que tem uma filha de 23 anos, diz que a diferen√ßa de idade em rela√ß√£o a outros grupos, como os de jovens, dificulta o desenvolvimento de la√ßos de amizade mais fortes. O comerciante diz que n√£o se sente exclu√≠do, mas afirma que √© necess√°rio saber precaver-se de algumas situa√ß√Ķes: ‚ÄúPrincipalmente no in√≠cio, sempre tentaram arrumar um casamento para mim. Se aparecesse uma vi√ļva ou uma mulher acima da idade jovem na igreja, j√° queriam marcar at√© encontro para a gente‚ÄĚ, lembra, divertido. Dizendo buscar a vontade de Deus para sua vida, Ed√©lcio garante que n√£o est√° ansioso por um novo relacionamento. ‚ÄúSei que, se n√£o me casei novamente, foi porque o Senhor ainda n√£o quis. Descanso nas palavras de Paulo em I Cor√≠ntios 7‚ÄĚ. Ali, o ap√≥stolo d√° uma s√©rie de orienta√ß√Ķes aos crentes acerca de casamento e fam√≠lia e deixa claro que, caso o crist√£o decida se casar ou permanecer sozinho, n√£o √° nada de errado nisso. Uma de suas falas constitui excelente conselho, seja qual for a situa√ß√£o: ‚ÄúO que eu realmente quero √© que voc√™s estejam livres de preocupa√ß√Ķes‚ÄĚ. E, mais adiante, ele √© categ√≥rico ao defender o valor do matrim√īnio: ‚ÄúSe est√°s casado, n√£o procura separar-te.‚ÄĚ

Divórcio mais fácil

Os efeitos das recentes mudan√ßas no Direito de fam√≠lia no Brasil, que facilitaram os processos de div√≥rcio, j√° podem ser medidos em n√ļmeros. De acordo com dados do Col√©gio Notarial de S√£o Paulo, a quantidade de div√≥rcios realizados em cart√≥rios, sem necessidade de processo judicial ‚Äď possibilidade inaugurada com a nova lei ‚Äď, aumentou em 109% no √ļltimo ano em S√£o Paulo. Foram 9.317 casamentos que chegaram ao fim, contra 4,5 mil em 2009. Pelas novas regras (Emenda Constitucional 66/2010), n√£o existe mais exig√™ncia de tempo de separa√ß√£o de fato para que casais possam se divorciar ‚Äď antes, era preciso esperar dois anos entre a separa√ß√£o de fato e o div√≥rcio. Al√©m disso, caso n√£o haja filhos menores ou incapazes e seja firmado acordo pr√©via em rela√ß√£o √† partilha dos bens, marido e mulher podem encerrar sua rela√ß√£o com apenas uma visita ao cart√≥rio.

‚ÄúFalta mudan√ßa de vida‚ÄĚ

Pastor e mission√°rio, Sergio Leoto atua na √°rea de fam√≠lia na Igreja Batista da √Āgua Branca, em S√£o Paulo, ao lado da mulher, a psic√≥loga Magali. Ele conversou com CRISTIANISMO HOJE:

CRISTIANISMO HOJE ‚Äď A qu√™ o senhor atribui o aumento dos casos de div√≥rcio no meio evang√©lico?
SERGIO LEOTO ‚Äď Embora n√£o haja levantamento espec√≠fico, podemos dizer, a partir da observa√ß√£o como conselheiros, que esse aumento √© um fato. Aponto a falta de discipulado s√©rio junto aos novos convertidos como um dos motivos. Assim, situa√ß√Ķes erradas da vida anterior √† convers√£o ‚Äď como a mentira e o adult√©rio ‚Äďcontinuam se repetindo, pois n√£o h√° instru√ß√£o sobre o que √© a nova vida em Cristo e a santifica√ß√£o. A falta de minist√©rios de fam√≠lia tamb√©m √© um problema. Apesar de diversos trabalhos de √≥tima qualidade, no geral, n√£o existe atendimento efetivo a casais em crise.

Quais s√£o os principais problemas que levam um casal de crentes a se divorciar?
Os fatores principais s√£o a inabilidade em lidar com as diferen√ßas de comportamento entre os c√īnjuges, o adult√©rio ‚Äď muitos crentes, homens ou mulheres, ainda n√£o sabem fugir das ‚Äúcantadas‚ÄĚ ‚Äď e transtornos ligados √† √°rea financeira. Ou por haver muito dinheiro envolvido, ou pela falta dele...

Como pastor de igreja e conselheiro, que orientação o senhor dá aos crentes que, casados já na condição de evangélicos, manifestam a intenção de encerrar o relacionamento?
Partimos do pressuposto de que, se somos procurados por casais a um passo do div√≥rcio, √© porque ainda existe chance de reconcilia√ß√£o. Nunca √© um trabalho f√°cil, pois casamentos que se deterioraram atrav√©s de anos n√£o s√£o recuperados em quest√£o de minutos. S√£o muitos encontros, meses de trabalho, muita ora√ß√£o, muita boa vontade de todos os envolvidos ‚Äď e, na maioria das vezes, acontece a reconcilia√ß√£o. Nossa maior recompensa √© ver fam√≠lias que permaneceram unidas, aprenderam a lidar e conversar sobre as diferen√ßas de pensamento, aprenderam a perdoar e amadureceram, entendendo que casamento nos d√° direitos mas tamb√©m deveres.

Curva ascendente

Para cada quatro casamentos realizados no Brasil, um √© desfeito (com n√ļmeros do IBGE de 2009):
916.006 foram os casamentos
231.329 uni√Ķes chegaram ao fim

Fonte: Cristianismo Hoje