FG News: Pastor afirma que Esporte cobrou 10% para PC do B

Postado em: 24-10-2011 Fundador de igreja que recebeu R$ 1,2 milh√£o diz ter se negado a pagar propina. Testemunha diz ter sido procurada por emiss√°rios do ministro do Esporte, Orlando Silva (foto) para repassar dinheiro para o partido

O fundador de uma igreja que recebeu R$ 1,2 milhão do Ministério do Esporte diz que foi pressionado a repassar 10% do dinheiro para os cofres do PC do B, o partido que controla o ministério.

"Veio um monte de urubu comer o filezinho do projeto", disse à Folha o pastor evangélico David Castro, 56, que dirige a Igreja Batista Gera Vida, de Brasília. Ele diz que se recusou a pagar a propina.

√Č a segunda pessoa que vem a p√ļblico nesta semana acusar o Minist√©rio do Esporte de desviar para o PC do B dinheiro destinado a conv√™nios com organiza√ß√Ķes n√£o governamentais.

O policial João Dias Ferreira, dono de duas ONGs que tiveram convênios com o ministério, disse à revista "Veja" que o próprio ministro Orlando Silva recebeu propina na garagem do ministério. Orlando nega a acusação.

O ministério fechou convênio com a Igreja Batista Gera Vida no fim de 2006 para desenvolver atividades esportivas para 5.000 crianças carentes, dentro do programa Segundo Tempo.

O projeto foi apresentado ao ministério pelo pastor Castro no início de 2006, quando o ministro era o atual governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, hoje no PT.

Quando o convênio com a instituição foi assinado, em 14 de novembro de 2006, Orlando Silva já era o ministro.

O dinheiro foi liberado em duas parcelas: a primeira seis dias depois da assinatura do convênio e a segunda em 2 de abril de 2007.

Funcionário aposentado do Banco Central, o pastor se recusou a dar o nome das pessoas que teriam cobrado a propina, mas afirmou que uma delas era um funcionário do ministério.

Ele afirmou que, após a liberação da primeira parcela do dinheiro, no final de 2006, foi procurado por duas pessoas que diziam falar em nome do PC do B e Agnelo.

"Usavam o nome do ministro. Diziam: '√Č para suporte pol√≠tico do ministro'."

Filiado ao PP, Castro afirmou que sofreu retaliação por não ter pago a propina exigida. "Na hora da prestação de contas [do convênio], houve dificuldade porque evidentemente não houve propina."

O Minist√©rio P√ļblico Federal acusa a igreja de ter cometido irregularidades numa licita√ß√£o aberta para compra de merenda e cobra a devolu√ß√£o do dinheiro do conv√™nio. Foi s√≥ depois disso que o minist√©rio decidiu reprovar as contas da entidade. "Era uma forma de eles tirarem o corpo fora", disse o pastor.

Antes dessa manifesta√ß√£o do Minist√©rio P√ļblico, a pasta chegou a mandar uma carta para a igreja oferecendo a renova√ß√£o do contrato.

Ministério nega que projeto foi recusado por falta de propina

O Esporte afirmou ser mentira que o projeto do pastor David Castro foi reprovado por que não houve pagamento de propina. "A prestação de contas não foi aprovada porque o convenente não cumpriu os requisitos legais."

A pasta diz ainda que o ofício enviado para prorrogar o convênio é "padrão".

"Trata-se de alerta padrão para que entidades avaliem a necessidade de prorrogação, e não renovação. Tal encaminhamento não significava proposta formal de renovação de parceria, uma vez que esta fica condicionada ao atendimento de requisitos".

Em 2007, o Minist√©rio P√ļblico Federal no Distrito Federal enviou recomenda√ß√£o ao Esporte para suspender o repasse de verbas √† entidade.

O processo est√° na 5¬™ Vara da Justi√ßa federal. A Folha procurou a 5¬™ Vara em busca de informa√ß√Ķes sobre o processo, mas a diretora, Rossana Alves Leite, disse que "n√£o √© sua atribui√ß√£o orientar mat√©rias jornal√≠sticas".

O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, afirmou, por meio de assessoria, que não era mais ministro quando o convênio com a Igreja Batista Gera Vida Internacional foi assinado nem quando a verba foi liberada.

Sobre a acusação do dono da ONG, de que houve pedido de propina para ele e o PC do B, o governador disse que "não tem conhecimento do fato". Agnelo disse ainda não conhecer o dono da ONG.

Ministério do Esporte chama de 'ataque leviano' matéria de jornal

O Minist√©rio do Esporte, em nota divulgada neste s√°bado, chamou de ataque leviano a reportagem publicada na Folha de S.Paulo deste s√°bado, que traz o caso de um pastor evang√©lico que afirma ter sido pressionado a repassar 10% dos R$ 1,2 milh√Ķes recebidos da pasta para os cofres do PCdoB, partido do ministro Orlando Silva, que h√° dias √© alvo de den√ļncias de corrup√ß√£o.

O minist√©rio diz que repudia a mat√©ria, que, segundo a pasta, "repete acusa√ß√Ķes sem provas, n√£o apura (e) ap√≥ia-se num acusador envolvido em irregularidades". "As afirma√ß√Ķes n√£o se amparam em provas. O jornal ataca uma institui√ß√£o de forma leviana, usando uma entrevista que carece de sustenta√ß√£o. (O pastor) David Castro, sem apresentar qualquer justificativa, se recusa a apresentar o nome do suposto servidor que o teria procurado (para cobrar a suposta propina). Nega-se at√© mesmo a informar o cargo que seria ocupado por esse suposto servidor", diz a nota.

A pasta faz duras críticas ao jornal, e diz que, "na tentativa de criar fato jornalístico", a publicação "tenta promover a acusador, um personagem que é cobrado pelo Ministério do Esporte para devolver recursos desviados na execução de (um) convênio", se referindo ao pastor.

Ao contr√°rio do publicado na Folha, o minist√©rio diz que n√£o foi o ministro Orlando Silva que assinou conv√™nio com a Igreja Batista Gera Vida. Por fim, a pasta sugere um pedido de retrata√ß√£o √† Folha de S.Paulo, caso n√£o sejam apresentadas as evid√™ncias das den√ļncias.

As acusa√ß√Ķes contra Orlando Silva

Reportagem da revista Veja de outubro afirmou que o ministro do Esporte, Orlando Silva (PCdoB), lideraria um esquema de corrup√ß√£o na pasta que pode ter desviado mais de R$ 40 milh√Ķes em oito anos.
Segundo o delator, o policial militar e militante do partido Jo√£o Dias Ferreira, organiza√ß√Ķes n√£o-governamentais (ONGs) recebiam verbas mediante o pagamento de uma taxa que podia chegar a 20% do valor dos conv√™nios. Orlando teria recebido, dentro da garagem do minist√©rio, uma caixa de papel√£o cheia de c√©dulas de R$ 50 e R$ 100 provenientes dos desvios que envolveriam o programa Segundo Tempo - iniciativa de promo√ß√£o de pr√°ticas esportivas voltada a jovens expostos a riscos sociais.

Jo√£o Dias Ferreira foi um dos cinco presos no ano passado pela pol√≠cia de Bras√≠lia sob acusa√ß√£o de participar dos desvios. Investiga√ß√Ķes passadas apontavam diversos membros do PCdoB como protagonistas das irregularidades, na √©poca da Opera√ß√£o Shaolin, mas √© a primeira vez que o nome do ministro √© mencionado por um dos suspeitos. Ferreira, por meio da Associa√ß√£o Jo√£o Dias de Kung Fu e da Federa√ß√£o Brasiliense de Kung Fu, firmou dois conv√™nios, em 2005 e 2006, com o Minist√©rio do Esporte.

O ministro nega as acusa√ß√Ķes e afirmou n√£o haver provas contra ele, atribuindo as den√ļncias a um processo que corre na Justi√ßa. Segundo ele, o minist√©rio exige judicialmente a devolu√ß√£o do dinheiro repassado aos conv√™nios firmados com Ferreira. Ainda conforme Orlando, os conv√™nios vigentes v√£o expirar em 2012 e n√£o ser√£o renovados.

Fonte: Folha de S√£o Paulo e Terra