FG News: "Eu me achava superior", diz Caroline Celico, mulher de Kak√°

Postado em: 30-10-2011 Mulher do craque do futebol Kaká, conta como ele enfrentou a má fase profissional, assume que era fanática quando pertencia à Igreja Renascer em Cristo e diz por que deixou de frequentá-la.

Caroline Celico, 24 anos, est√° atrasada. Quando chega ao terra√ßo do hotel onde a conversa foi marcada, entra com pressa e pede desculpas. ‚ÄúLevei um ch√° de cadeira do pediatra‚ÄĚ, explica ela, impec√°vel na maquiagem, na roupa, nas joias e na dic√ß√£o. M√£e de Luca, 3 anos, e Isabella, 6 meses, ela aproveitou a passagem pelo Brasil para levar os dois ao m√©dico. Mulher de Kak√°, craque do Real Madrid e eleito, em 2007, o melhor jogador de futebol do mundo pela Fifa, ela est√° no Pa√≠s para lan√ßar a segunda edi√ß√£o de seu CD e DVD evang√©licos. Dois anos depois de deixar a Igreja Renascer em Cristo, do ap√≥stolo Estevam Hernandes e da bispa S√īnia, ela colhe os frutos de sua liberdade espiritual. ‚ÄúAmadureci em coisas que eram tabu para mim‚ÄĚ, admite. ‚ÄúEu me achava superior. E essa √© das piores caracter√≠sticas que j√° tive na vida.‚ÄĚ

Imagem redimensionadaO processo de amadurecimento de Caroline n√£o foi f√°cil. Aos 15 anos, come√ßou a namorar uma das grandes estrelas do futebol brasileiro. Um ano depois entrou, segundo ela, por vontade pr√≥pria para a Igreja Renascer em Cristo, da qual Kak√° sempre fez parte. Batizou-se, matriculou-se em grupos de estudo da ‚ÄúB√≠blia‚ÄĚ e passou a frequentar os cultos de maneira quase compulsiva. A m√£e da jovem, Ros√Ęngela Lyra, 46 anos, cat√≥lica, empres√°ria da moda e representante da Dior no Brasil, percebeu o exagero e tentou conter a filha. ‚ÄúEla quis me proteger da Renascer. Tentou me afastar da igreja, mas sempre que ela tentava, eu entrava mais e mais‚ÄĚ, lembra Caroline. As brigas ultrapassaram os limites das disputas entre adolescentes e seus pais e as duas quase romperam. ‚ÄúCheguei a jogar fora as coisas dela de santo, a quebrar uma pulseirinha, diz. ‚ÄúMe envolvi completamente, fui fan√°tica.‚ÄĚ

Em 2005, aos 18 anos, Caroline se casou na sede da Renascer, ent√£o na avenida Lins de Vasconcelos, no bairro do Cambuci, √°rea central da cidade de S√£o Paulo. O pr√©dio viria a ruir quatro anos depois por problemas de conserva√ß√£o e manuten√ß√£o da estrutura, matando nove pessoas e ferindo outras 117. Vivia o √°pice da f√©. Quando se mudou para a It√°lia, onde o marido j√° morava desde a transfer√™ncia para o time do Milan, em 2003, desembarcou convencida de que expandiria a Renascer na Europa. Foi nesse per√≠odo que ela se tornou pastora e passou a pregar para o rebanho da Renascer via internet. Em 2009, durante um desses serm√Ķes, sugeriu que Deus havia dado dinheiro para o Real Madrid, em plena crise financeira, para contratar seu marido. ‚ÄúMe arrependo profundamente dessa declara√ß√£o. Escutei de uma pessoa e repeti‚ÄĚ, diz. Quando questionada sobre o autor da frase, ela sorri, toma um gole de √°gua e desconversa. ‚ÄúN√£o penso mais como aquela Carol, mais imatura, influenci√°vel. Quero seguir o meu caminho com as minhas pr√≥prias pernas. Esse foi o motivo pelo qual sa√≠ da Renascer.

Foi tamb√©m em 2009 que ela deixou a igreja. Sem dar detalhes, conta que viu coisas na Renascer que nunca tinha visto, das quais j√° tinham falado para ela, mas que nunca havia acreditado. Em seu mea culpa, n√£o poupa a si mesma. Reconhece que tentava agradar aos homens e n√£o a Deus, defeito grave entre os evang√©licos, e admite a pr√≥pria hipocrisia. ‚ÄúIa para a igreja, era super hero√≠na da f√©, super pastora, mas chegava em casa e tratava mal a pessoa que trabalhava para mim‚ÄĚ, diz. Como uma esponja, justifica-se ela, absorvia o comportamento dos que a rodeavam no ambiente que mais frequentava, a igreja. Segundo ela, era gente ‚Äúque n√£o podia dar o que n√£o recebeu‚ÄĚ, como carinho, educa√ß√£o e respeito. √Č direta sobre os problemas da Renascer: ‚ÄúVirou um neg√≥cio que precisava ser administrado‚ÄĚ, afirma. ‚ÄúN√£o queria isso para mim.‚ÄĚ

Hoje sem pertencer a nenhuma igreja, ela prefere orar em casa, sem intermedi√°rios e s√≥ com a fam√≠lia. Que, segundo Caroline, estreitou os la√ßos depois do tempo em que Kak√° passou em casa se recuperando das les√Ķes que sofreu por insistir em jogar, mesmo machucado, a Copa de 2010. ‚ÄúVimos que futebol n√£o √© tudo‚ÄĚ, resume ela. Nos momentos de des√Ęnimo do marido, Caroline conta que enumerava as conquistas do jogador para anim√°-lo. Mas a travessia foi dif√≠cil. ‚ÄúAlguns amigos se afastaram por ele n√£o estar jogando tanto‚ÄĚ, revela. ‚ÄúIsso acontece em qualquer profiss√£o, ainda mais quando a pessoa tem uma visibilidade gigantesca como √© o caso do Kak√°‚ÄĚ, acrescenta Caroline, para quem talvez essa tenha sido a pior parte da fase em que ele n√£o jogou.

Convocado pelo t√©cnico Mano Menezes na semana passada para os amistosos da Sele√ß√£o Brasileira contra o Gab√£o e o Egito, Kak√° voltar√° √† evid√™ncia e os tais colegas certamente ressurgir√£o. Caroline os receber√° de bra√ßos abertos. ‚ÄúA gente tamb√©m precisa de colegas, n√£o s√≥ de amigos‚ÄĚ, diz, com a toler√Ęncia e a resigna√ß√£o que marcam esta nova fase de sua vida. Enquanto o marido retoma o futebol, aos poucos, Caroline j√° se dedica a um novo projeto chamado Amor Horizontal. Trata-se de um site que canalizar√° doa√ß√Ķes na forma de produtos de higiene, alimenta√ß√£o e sa√ļde, entre outros. ‚ÄúQuero ajudar pequenas institui√ß√Ķes que cuidam de crian√ßas carentes, seja qual for a f√© que elas praticam‚ÄĚ, diz, mostrando que a antiga Caroline ficou no passado.

Fonte: Revista Isto √Č