Ci√™ncia & Sa√ļde: S√≥ 40% das mulheres com c√Ęncer conseguem preservar mama

Postado em: 15-10-2012 O avan√ßo no tratamento do c√Ęncer de mama tem permitido a indica√ß√£o de cirurgias cada vez menos invasivas, que envolvem apenas a retirada de uma pequena por√ß√£o do seio. Mesmo assim, a taxa de ado√ß√£o desse tipo de procedimento tem ficado abaixo do esperado.

Sob o ponto de vista da import√Ęncia da manuten√ß√£o das mamas para a autoestima da mulher, esse tema foi destaque no Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Cl√≠nica, em Viena, na √Āustria.

A indicação da cirurgia capaz de conservar grande parte da mama é possível quando o tumor é pequeno ou, nos casos de tumores grandes, a paciente apresenta uma boa resposta ao tratamento neoadjuvante (quimioterapia aplicada antes da cirurgia com o objetivo de diminuir o tamanho do nódulo).

O que a pesquisadora Carmen Criscitiello, do Instituto Europeu de Oncologia, descobriu √© que o n√ļmero de indica√ß√Ķes de cirurgias que preservam as mamas n√£o tem aumentado na mesma propor√ß√£o em que melhoram as respostas das pacientes √†s novas terapias neoadjuvantes.

Para chegar a essa conclus√£o, ela tomou por base um estudo anterior que avaliou a efic√°cia de tr√™s estrat√©gias de quimioterapia neoadjuvante para 429 pacientes com tumor do tipo HER2 positivo. Um grupo recebeu a droga lapatinibe, o outro recebeu o trastuzumabe e um terceiro, a combina√ß√£o das duas terapias. Deste √ļltimo grupo, 51,5% das pacientes tiveram uma resposta completa √† terapia, enquanto nos outros grupos, essa taxa foi de 24,7% e de 29,5% respectivamente.

O esperado seria que o terceiro grupo, por ter respondido melhor, recebesse mais indica√ß√Ķes de cirurgias que preservam as mamas. Por√©m, o que ocorreu foi que nos tr√™s grupos, independentemente da resposta ao tratamento, apenas 40% das pacientes puderam conservar o seio.

"O estudo destaca uma atitude negativa que pode privar grande fração de mulheres da chance de preservar sua mama, sem nenhuma razão clínica para justificar essa decisão", diz Carmen.

Ela acrescenta que as características do tumor anteriores à quimioterapia inicial tiveram papel importante na decisão do tipo de cirurgia. "Um dos objetivos da terapia neoadjuvante é obter um aumento da taxa de conservação de mama, mas esse objetivo é claramente frustrado se o tipo de cirurgia for escolhida somente de acordo com as características iniciais do tumor", completa Carmen.

No Brasil

Segundo a mastologista Maira Caleffi, presidente da Federa√ß√£o Brasileira de Institui√ß√Ķes Filantr√≥picas de Apoio √† Sa√ļde da Mama (Femama), esse processo tamb√©m pode ser observado no Brasil. Para ela, apesar de melhores condi√ß√Ķes para se realizar a cirurgia que preserva a mama, "o que se observa na pr√°tica √© que muitas pacientes s√£o informadas pelos pr√≥prios cirurgi√Ķes que talvez seja melhor tirar tudo e retirar ainda a outra mama como profilaxia".

Maira ressalta que esse procedimento n√£o tem respaldo cient√≠fico, a n√£o ser que a mulher possua uma muta√ß√£o gen√©tica familiar que predisponha ao c√Ęncer. "Isso √© um desservi√ßo que vem sido praticado. √Č um exagero, que n√£o observa as recomenda√ß√Ķes das autoridades e das sociedades m√©dicas", afirma.

A decisão sobre qual será o procedimento adotado deve ser compartilhada entre médico e paciente, de acordo com o mastologista Wesley Pereira Andrade, do Hospital A.C.Camargo. Em casos de tumores grandes, pode-se tanto começar o tratamento com a cirurgia mais radical e depois introduzir a quimioterapia quanto adotar a neoadjuvante para tentar conservar a mama.

"Quando se preserva a mama, existe um ganho psicológico. A desvantagem é uma maior chance de o tumor voltar ao longo de dez anos", diz. Ele observa que a mulher que preserva a mama tem uma aceitação melhor de sua autoimagem.

Para o ginecologista e cirurgi√£o oncol√≥gico F√°bio Laginha, do Hospital 9 de Julho, depois dos avan√ßos nas novas drogas contra c√Ęncer de mama, √© preciso progredir nos m√©todos de imagem e nas t√©cnicas cir√ļrgicas que permitam a retirada da por√ß√£o exata da mama necess√°ria para eliminar todas as c√©lulas cancer√≠genas. "O que precisa ser feito, quando se escolhe esse tipo de quimioterapia neoadjuvante, √© ter certeza do local do tumor, marcar e acompanhar sua diminui√ß√£o", diz.

Fonte: UOL