FG News: Promotor exige que USP retire crucifixo de clínica

Postado em: 30-07-2006 O Minist√©rio P√ļblico enviou of√≠cio √† USP (Universidade de S√£o Paulo) cobrando a retirada de um crucifixo colocado na sala de espera da cl√≠nica odontol√≥gica, por onde passam cerca de 1.400 pessoas por dia, ap√≥s receber queixa de uma pessoa que alegou ter ficado incomodada com o objeto.

Procurada desde quarta pela Folha, a USP não se manifestou. Se o crucifixo continuar na clínica, a universidade será acionada pelo promotor de Justiça Sérgio Turra Sobrane.

A representação foi protocolada por Vicente Ciccone, que não quis comentar o caso. A Promotoria vai apurar eventual desprestígio a outras crenças religiosas. A queixa segue o princípio institucional de que o Estado é laico, ou seja, não poderia ostentar nem demonstrar nenhuma preferência religiosa, como diz a Constituição.

Como a USP √© um √≥rg√£o p√ļblico, n√£o poderia, em tese, manter o crucifixo no local. A liga√ß√£o entre Estado e a Igreja Cat√≥lica chegou a constar na Constitui√ß√£o de 1824, ainda no Imp√©rio, mas foi abolida na Constitui√ß√£o de 1890, a primeira da Rep√ļblica.

Para o promotor, embora seja um costume arraigado, a legislação é clara ao não permitir que Estado e igreja se misturem, o que hoje ocorre normalmente em teocracias, como o Irã, de governo muçulmano. "No Brasil, até prédios da Justiça costumam manter crucifixos, mas sou contra", diz.

O padre Juarez de Castro, secretário-geral do Viricato Episcopal de Comunicação da Arquidiocese de SP, concorda que o Estado deva ser laico, mas não vê problema em manter o crucifixo. "Deve-se perguntar o que o povo quer, o crucifixo leva conforto às pessoas."

Ateu, o professor João Zanetic, diretor da Adusp (associação dos docentes da USP), considera a questão polêmica. "Nunca discutimos isso, mas a USP deve ser laica", afirma.

Fonte: Corumb√° Online