Missões: O renascimento da Somália significa liberdade aos cristãos?

Postado em: 11-06-2013 No ano passado, o povo da Somália elegeu seu primeiro presidente, após mais de 20 anos sem um governo central. Durante as duas décadas que antecederam a essa mudança, o país foi assolado por pirataria, fome, violência e morte. O artigo a seguir fala sobre os cristãos desta "nova" Somália.

Em 2012, a Somália realizou suas primeiras eleições democráticas depois de quase duas décadas de violência, corrupção e caos. Agora, a comunidade internacional surge para apoiar os esforços para a reconstrução do país. Os Estados Unidos focaram seu apoio na estabilidade e reintegração do país na comunidade internacional, reconhecendo oficialmente o governo da Federação da Somália pela primeira vez, desde 17 de janeiro de 1991.

A Conferência Somália, realizada na Lancaster House, em 7 de maio, e co-organizada por representantes do Reino Unido e da Somália, foi um passo ainda mais significativo em direção à estabilidade e reintegração na comunidade internacional. Mais de 50 amigos e parceiros da Somália compareceram.

O comunicado de imprensa do governo do Reino Unido, de 7 de maio, afirma: "Na Conferência, a comunidade internacional se reuniu a fim de discutir medidas práticas para o apoio aos planos do Governo Federal em três áreas principais: segurança, justiça e gestão das finanças públicas. Nós apoiamos a proteção dos direitos fundamentais da Constituição e o compromisso do Governo Federal na defesa dos direitos humanos, inclusive através da criação de uma Comissão Nacional de Direitos Humanos independente".

Contudo, apesar de todas estas ações positivas visando a restauração da nação, e dos elogios da comunidade internacional às promessas do governo da Somália de proteger e defender os direitos humanos fundamentais no artigo 3º da Constituição, os cristãos da Somália ainda não têm muito a comemorar. Eles permanecem escondidos e em sério perigo diante dos extremistas.

Infelizmente, a Constituição prestes a ser concluída e ratificada também afirma:
• “O islamismo deve ser a religião do Estado.”
• “Toda pessoa deve ter o direito à liberdade de consciência, de professar livremente sua própria religião e de prestar culto sem qualquer restrição que possa estar prescrita em lei com a finalidade de garantir a moral, a saúde pública e a ordem. No entanto, não será permitido divulgar ou fazer propaganda de qualquer outra religião que não seja a religião do Islã.”
• "A doutrina islã deve ser a principal fonte das leis do Estado."

E assim, na Federação da Somália, os cristãos continuam marginalizados, criminalizados e ameaçados. Há, contudo, um raio de esperança...

O número de cidadãos da Somália voltando do exílio tem aumentado, enquanto a nação recupera lentamente sua estabilidade. Entre os regressos, está a geração nascida, criada e educada nos países ocidentais. Muitos prosperaram nas várias nações em que estiveram exilados, demonstrando grande empreendedorismo, habilidades variadas e instrução.

"Estamos orando para que a vida em cidades cosmopolitas do mundo tenha aberto suas mentes e transformado suas visões de mundo. Eles têm visto os benefícios de viver em sociedades mais livres que seguem o Estado de Direito e desfrutado da liberdade religiosa, liberdade de associações, da liberdade de viver suas vidas como bem entenderem, sem interferências. Também estamos orando para que esses regressos estejam mais religiosamente tolerantes, sem ceder facilmente às rigorosas leis da Sharia, as quais os extremistas defendem. Oramos para que isso venha a significar num futuro próximo a aceitação social dos não-muçulmanos, incluindo os cristãos somalis", comentou um colaborador da Portas Abertas no Leste Africano.

Por enquanto, as ameaças continuam a espreitar as comunidades extremamente unidas, ligadas por fortes laços familiares e de clãs. Nessas famílias e estruturas sociais rigorosamente monitoradas existem extremistas anticristãos e anti-judeus.

Agora é o momento de o presidente Hassan Sheikh Mohamud cumprir as palavras de seu discurso de abertura da Conferência da Somália 2013, quando afirmou que seu governo está dedicado à criação de uma Somália "em paz consigo mesma e com os seus vizinhos, uma Somália que valoriza a bondade, o respeito e os direitos humanos." Ele prometeu que, sob sua liderança, o governo oferecerá ao mundo um parceiro legítimo em que se pode confiar. Falou ainda que está trabalhando arduamente para tornar efetivo, entre outras coisas, o Estado de Direito e o sistema de justiça.

Enquanto as pessoas não tiverem a permissão para mudar de religião, viver a sua fé cristã ou falar aos outros sobre sua crença, as garantias de respeito aos direitos humanos continuam como meras palavras no papel. Continuando a caça e matança aos cristãos, prova-se que a liberdade ainda não chegou verdadeiramente à Somália.

Pedidos de oração:
• Ore para que a situação dos cristãos somalis chegue ao conhecimento e tenha destaque na comunidade internacional, que busca reconstruir a nação.
• Peça pelo retorno de milhões de somalis que viveram ou até mesmo nasceram e se criaram no exílio. Ore para que a sua mentalidade "diferente" e visões de mundo abertas tragam uma concepção de tolerância à sociedade.
• Interceda pelo estabelecimento de uma sociedade civil nativa, forte e imparcial e de agências de direitos humanos para dar voz aos que não a tem, por serem controlados pelo governo (incluindo os cristãos).
• Ore para que os direitos humanos constitucionais garantidos sejam respeitados e para que todos os somalis tenham espaço para praticarem a religião de sua preferência.
• Apresente ao Senhor a juventude da Somália nascida antes ou durante o conflito:
- Aqueles que ficaram no país e não conheceram outra forma de vida exceto a violência, vingança e amargura.
- Muitos dos que fugiram com suas famílias sofreram os horrores da fome e inanição, viajaram muitos quilômetros, principalmente a pé, encontraram milícias ilegais que os estupraram e, em alguns casos, assassinaram.
- Ore para que Deus possa redimi-los e trazer cura aos seus corações feridos.

Fonte: Portas Abertas EUA