Ci√™ncia & Sa√ļde: N√ļmero de casos de c√Ęncer cresceu 75% em rela√ß√£o aos anos 90, diz estudo

Postado em: 09-06-2015 O total de casos novos de c√Ęncer atingiu 14,9 milh√Ķes no mundo, em 2013, com alta de 75,6% em compara√ß√£o a 1990. J√° a propor√ß√£o de mortes por c√Ęncer evoluiu de 12%, em 1990, para 15%, em 2013, quando a doen√ßa vitimou 8,2 milh√Ķes de pessoas.

Os dados constam do estudo Fardo Global do C√Ęncer 2013, publicado por um grupo de pesquisadores no Journal of the American Medical Association, no fim de maio, com dados relativos ao per√≠odo de 1990 a 2013. Foram pesquisados 28 tipos principais da doen√ßa em 188 pa√≠ses.

O estudo comprova o aumento do n√ļmero de casos novos de c√Ęncer em todo o mundo e tamb√©m no Brasil, bem como o n√ļmero de √≥bitos. Em fun√ß√£o do envelhecimento populacional, a maior incid√™ncia de tumores ocorre nas pessoas mais idosas. "Como as pessoas est√£o vivendo mais e as causas de √≥bitos anteriores, por doen√ßas infecciosas, v√™m caindo, devido a tratamentos mais efetivos e a campanhas de vacina√ß√£o, o n√ļmero de √≥bitos por c√Ęncer subiu bastante", disse hoje (8) √† Ag√™ncia Brasil o professor da Escola de Medicina da Universidade de S√£o Paulo (USP), Itamar Santos. Ele integrou o grupo de pesquisadores liderados pela Universidade de Washington, ao lado do tamb√©m professor da USP Paulo Andrade Lotufo.

Em termos globais, o c√Ęncer √© a doen√ßa que mais mata no mundo, depois das doen√ßas coronarianas. Santos advertiu, entretanto, que como os tratamentos contra o c√Ęncer t√™m evolu√≠do tamb√©m, "√© de se esperar que o n√ļmero de √≥bitos n√£o acompanhe o ritmo do n√ļmero de casos diagnosticados". Ele destacou que, al√©m disso, existem m√©todos de diagn√≥stico muito sens√≠veis, que "a medicina ainda est√° aprendendo a usar". Essa √© uma raz√£o tamb√©m para que o n√ļmero de casos novos aumente mais que o de mortes, indicou.

Somando homens e mulheres, o tipo de c√Ęncer que mais mata no mundo √© o de pulm√£o. Em 2013, foram 1,64 milh√£o de v√≠timas. No Brasil, foram em torno de 29 mil mortes, contra 15,6 mil, em 1990. Entre as mulheres, o c√Ęncer de pulm√£o matou 485 mil pessoas no mundo, em 2013. Em seguida, veio o c√Ęncer de mama, com 464 mil mortes.

Entre os homens, o c√Ęncer de pr√≥stata foi o que mais vitimou no mundo, em 2013, com 292,7 mil mortes. No Brasil, foram 17,7 mil v√≠timas, aparecendo em segundo lugar, ap√≥s 18,7 mil casos de √≥bitos por c√Ęncer de pulm√£o.

Itamar Santos disse que, no caso espec√≠fico do c√Ęncer de pr√≥stata, h√° institui√ß√Ķes internacionais de renome que n√£o recomendam o rastreamento por indiv√≠duo, a n√£o ser que ele apresente sintomas da doen√ßa. "E populacionalmente, a evid√™ncia que existe √© que n√£o compensa fazer esse rastreamento, porque o benef√≠cio que se tem do tratamento n√£o compensa os riscos". O problema, sustentou, √© fazer isso em pessoas assintom√°ticas, s√≥ baseado na idade. Ele reconheceu, por outro lado, que essa posi√ß√£o acarreta muita discuss√£o em todo o mundo.

A incid√™ncia de c√Ęncer de pr√≥stata no Brasil cresceu 414% entre 1990 e 2013, enquanto a mortalidade por esse tipo de doen√ßa aumentou 177%. O pesquisador reiterou que o n√ļmero de mortes quase triplicou porque "a idade m√©dia da popula√ß√£o aumentou, e tamb√©m pelo fato de se ter mais acesso a exames diagn√≥sticos, que facilitam saber a causa de √≥bitos". O n√ļmero de casos novos multiplicou-se por cinco no per√≠odo investigado.

Itamar Santos salientou que, quando se fala em c√Ęncer, est√° se abordando v√°rias doen√ßas diferentes, e para cada uma delas h√° uma estrat√©gia de tratamento e, por isso, prefere n√£o falar em preven√ß√£o. "Tem que ter uma base cient√≠fica por tr√°s", disse ele. Quanto ao c√Ęncer de pulm√£o, o pesquisador lembrou que a estrat√©gia √© a cessa√ß√£o do tabagismo. "√Č um fator de risco t√£o forte que n√£o h√° outra coisa para diminuir o n√ļmero de casos". Para o c√Ęncer de mama, existe um programa de rastreamento bem estabelecido, com mamografias para mulheres de 50 a 74 anos de idade.

A ado√ß√£o de h√°bitos de vida saud√°veis ajuda a reduzir o aparecimento de casos novos de c√Ęncer e a realiza√ß√£o de exames e detec√ß√£o precoce da doen√ßa diminuem sensivelmente a mortalidade, afirmou. Para ele, os governos poderiam contribuir com o estabelecimento de pol√≠ticas p√ļblicas para cessa√ß√£o do tabagismo, para diminuir o n√ļmero de fumantes, por exemplo, ou estimulando a ado√ß√£o de h√°bitos de vida saud√°vel e mesmo disponibilizando acesso "para as condi√ß√Ķes em que vale a pena fazer o rastreamento".

Estudo testar√° rem√©dios de c√Ęncer em quem j√° n√£o responde ao tratamento

Um estudo cl√≠nico in√©dito envolvendo pacientes com c√Ęncer, que j√° n√£o respondem aos tratamentos existentes, vai ser realizado nos Estados Unidos. A ideia √© testar drogas de √ļltima gera√ß√£o que j√° est√£o no mercado, mas que n√£o s√£o propriamente indicadas para os casos dos pacientes. A tentativa √© de ampliar o protocolo de uso de medicamentos aprovado pelo FDA (√≥rg√£o norte-americano que aprova novos rem√©dios e alimentos, na sigla em ingl√™s).

O estudo foi lan√ßado no √ļltimo congresso da ASCO (sociedade norte-americana de oncologia cl√≠nica, na sigla em ingl√™s), em Chicago, nos Estados Unidos, na √ļltima semana, e conta com o patroc√≠nio de cinco grandes farmac√™uticas.

A ideia √© desburocratizar as pesquisas cl√≠nicas atraindo um maior n√ļmero de pacientes para o teste de medicamentos. O foco s√£o as pessoas diagnosticadas com tumores s√≥lidos, mieloma m√ļltiplo ou linfomas n√£o-Hodgkin.

O estudo, batizado de TAPUR, vai coletar informa√ß√Ķes sobre a toxicidade e atua√ß√£o contra tumores dos medicamentos que j√° est√£o dispon√≠veis no mercado norte-americano. "Os oncologistas geralmente usam terapias aprovadas para alguns tipos de c√Ęncer em pacientes com outros tipos de c√Ęncer, mas raramente esse conhecimento √© organizado e disseminado. Esse estudo vai documentar a experi√™ncia do mundo real e vai descrever a efic√°cia desses novos testes", afirmou o presidente da ASCO, Peter Paul Yu.

Nos pr√≥ximos meses devem ser criados comit√™s que v√£o organizar os dados cl√≠nicos e avaliar os casos junto aos representantes dos pacientes e seus oncologistas. N√£o h√° informa√ß√Ķes at√© o momento sobre o n√ļmero de pacientes envolvidos no estudo. Ao menos 13 medicamentos, que combatem 15 tipos diferentes de genomas variantes ser√£o fornecidos pelo estudo a custo zero.

Fonte: UOL