Ci√™ncia & Sa√ļde: Temperaturas, efeito estufa e n√≠vel do mar chegaram a n√≠veis recordes em 2015

Postado em: 03-08-2016

As temperaturas, o n√≠vel dos mares e as emiss√Ķes de gases do efeito estufa atingiram novos recordes no ano passado, tornando 2015 o pior ano na hist√≥ria moderna para uma s√©rie de indicadores-chave, revela nesta ter√ßa-feira um relat√≥rio internacional.

O relatório anual sobre o estado do clima ("State of the Climate") pinta um quadro sombrio da Terra em um documento de 300 páginas no qual 450 cientistas participaram.

"V√°rios indicadores, tais como as temperaturas na terra, na superf√≠cie dos oceanos e as emiss√Ķes de gases do efeito estufa bateram os recordes registrados h√° apenas um ano", advertem os especialistas.

O planeta registrou recordes de calor pelo segundo ano consecutivo, segundo o relatório.

O fen√īmeno clim√°tico El Ni√Īo, particularmente forte em 2015, "exacerbou" a tend√™ncia de superaquecimento no ano passado, acrescentam os cientistas.

"Sob o efeito combinado do El Ni√Īo e uma tend√™ncia de longo prazo para o aquecimento, a Terra registrou recordes de calor pelo segundo ano consecutivo."

Chuva de recordes

As concentra√ß√Ķes de tr√™s dos principais gases que provocam o efeito estufa, di√≥xido de carbono (CO2), metano e √≥xido nitroso, "atingiram novos recordes em 2015", indica o documento, que √© baseado em dezenas de milhares de dados extra√≠dos de v√°rias fontes independentes.

No Havaí, no vulcão Mauna Loa, a concentração de dióxido de carbono registrou "o maior aumento desde o início da coleta de dados, há 50 anos", o que permitiu superar pela primeira vez a barra simbólica de 400 partes por milhão (ppm), a 400,8 ppm.

Em todo o planeta, o CO2 se aproximou deste limite em 2015, chegando a 399,4 ppm, um aumento de 2,2 ppm em relação a 2014.

Os oceanos atingiram seu nível mais alto, com cerca de 70 milímetros mais do que a média registrada em 1993.

O n√≠vel dos oceanos sobe gradualmente na Terra, com um avan√ßo de cerca de 3,3 mil√≠metros por ano, mas o aumento √© mais r√°pido em determinados pontos do Pac√≠fico e do Oceano √ćndico.

Este fen√īmeno poderia acelerar nas pr√≥ximas d√©cadas, √† medida que as geleiras e icebergs derretem, amea√ßando as vidas de milh√Ķes de habitantes das zonas costeiras.

O ano de 2015 tamb√©m marcou uma temporada de chuvas mais abundantes do que a m√©dia, provocando graves inunda√ß√Ķes.

Secas severas também afetaram superfícies quase duas vezes maiores em 2015 do que no ano anterior (14% versus 8% em 2014).

Propagação de algas

O √Ārtico, uma √°rea particularmente sens√≠vel √†s altera√ß√Ķes clim√°ticas, continua sofrendo com o aquecimento.

"A temperatura na superf√≠cie terrestre do √Ārtico registrou os n√≠veis alcan√ßados em 2007 e 2011, que foram recordes desde o in√≠cio das medi√ß√Ķes no in√≠cio do s√©culo XX, um aumento de 2,8 graus Celsius desde aquela √©poca", segundo o relat√≥rio.

Por outro lado, as temperaturas foram mais frias na Ant√°rtida.

No mundo, o recuo das geleiras nos maci√ßos alpinos continuou pelo 36¬ļ ano consecutivo.

As √°guas mais quentes agravaram o fen√īmeno da propaga√ß√£o das algas, que afetou no ano passado uma importante regi√£o do Pac√≠fico Norte, desde a Calif√≥rnia at√© Columbia Brit√Ęnica, no Canad√°, com "efeitos significativos sobre a vida marinha, os recursos costeiros e as pessoas que dependem desses recursos".

A temporada de furac√Ķes no Atl√Ęntico foi particularmente moderada pelo segundo ano consecutivo, em grande parte como resultado do El Ni√Īo, embora o n√ļmero de ciclones tropicais "tenha sido bem acima da m√©dia global".

Fonte: AFP via UOL