FG News: Igreja Universal e ex-deputado do ES s√£o condenados por 'rachid'

Postado em: 24-11-2016

Cinco anos ap√≥s a apresenta√ß√£o da den√ļncia por parte do Minist√©rio P√ļblico do Esp√≠rito Santo (MP-ES), o ex-deputado estadual Robson Vaillant e a Igreja Universal do Reino de Deus foram condenados ao pagamento de multa de R$ 20 mil cada um. Vaillant tamb√©m teve os direitos pol√≠ticos suspensos por quatro anos.

A decis√£o, da 3¬™ Vara da Fazenda P√ļblica Estadual de Vit√≥ria, foi publicada nesta quarta-feira (23). A a√ß√£o de improbidade administrativa narra um esquema de "rachid", em que o ent√£o deputado ficava com parte dos sal√°rios dos servidores do gabinete.

Em um dos depoimentos colhidos pelo MP-ES, uma testemunha relatou a nomeação de esposas de pastores, que não trabalhavam.

O próprio Vaillant já foi pastor da Universal. Há o caso, por exemplo, de uma mulher que, apesar de receber dinheiro da Assembleia, trabalhava apenas na Central da Escola Bíblica Infantil da igreja, na Reta da Penha, em Vitória.

"Ora! Ainda que a igreja requerida tenha colaborado na campanha eleitoral do primeiro requerido (Vaillant), tal situa√ß√£o n√£o legitima o desvio de servidores p√ļblicos para benef√≠cio √ļnica e exclusivamente da institui√ß√£o religiosa aqui mencionada", escreveu o juiz Julio Cesar Costa de Oliveira na senten√ßa.

Já o então deputado, para o magistrado, agiu de forma "consciente e deliberada". A sentença narra que, com base no relato de testemunhas, havia uma "série de ilegalidades praticadas no íntimo do gabinete", ambiente que, ao que tudo aponta, ainda de acordo com o juiz, "era deveras promíscuo".

Além do ex-parlamentar e da igreja, outras duas pessoas foram sentenciadas, uma delas é um irmão do ex-deputado.

Vaillant sempre negou as acusa√ß√Ķes. A decis√£o √© de primeiro grau e os r√©us ainda podem recorrer.

Nesta quarta-feira, por meio de nota, o advogado Ricardo Gobbi Filho, que atua na defesa do ex-deputado, informou que vai recorrer da sentença. Ele avalia que, "certamente" a decisão será revertida por falta de provas.

"Confia o ex-parlamentar que a decis√£o ser√° certamente revertida quando o caso for analisado pelo Tribunal de Justi√ßa do ES, uma vez que n√£o h√° sequer uma √ļnica prova documental contra si, e as provas testemunhais lhe s√£o inteiramente favor√°veis, n√£o confirmando as teses da acusa√ß√£o", diz o texto.

"Todo o caso se originou de uma retalia√ß√£o da testemunha-chave, que denunciou os supostos fatos ao MP. Essa testemunha desmentiu publicamente as acusa√ß√Ķes que fez ao ex-deputado em depoimento que prestou √† Assembleia em 2009 admitindo que inventou todos os fatos porque estava inconformada com sua exonera√ß√£o do gabinete de Robson Vaillant", segue a nota.

A Igreja Universal também se manifestou por meio de nota: "Informamos que o ex-pastor foi desligado do corpo eclesiástico da Igreja Universal do Reino de Deus há vários anos, e que a instituição recorrerá de sua condenação ao Tribunal de Justiça do Espírito Santo".

Fonte: G1