FG News: Autor de massacre em igreja nos EUA √© considerado culpado pelo j√ļri

Postado em: 18-12-2016

O supremacista branco Dylann Roof, 22, foi considerado culpado nesta quinta-feira (15) de crimes de ódio, que resultaram na morte, no ano passado, de nove fiéis de uma igreja da comunidade negra de Charleston, na Carolina do Sul, no sudeste dos Estados Unidos.

Roof foi considerado culpado das 33 acusa√ß√Ķes atribu√≠das a ele pelo massacre, durante uma leitura da B√≠blia, na igreja Madre Emanuel desta cidade, que tem uma forte comunidade negra.

O réu disse, em confissão gravada após sua detenção, que o ataque de 17 de junho de 2015 foi uma represália pelos supostos crimes cometidos pelos negros contra os brancos.

"Algu√©m tinha que faz√™-lo porque, sabe, os negros est√£o matando os brancos toda hora na rua e est√£o violentando as mulheres brancas", disse Roof, calmo e sem demonstrar emo√ß√Ķes, ao oficial do FBI que o interrogou.

Três pessoas sobreviveram ao massacre na igreja que era símbolo da luta dos negros contra a escravidão.

"Ele os executou porque acreditava que n√£o eram mais que animais", disse o assistente da promotoria Nathan Williams, em suas alega√ß√Ķes finais, nesta quinta, em um tribunal federal de Charleston. "Suas a√ß√Ķes na igreja s√£o o reflexo da imensid√£o do seu √≥dio."

"Por cada carga de munição que descarregou, por cada pessoa que matou, deve ser considerado culpado", acrescentou o promotor.

Ap√≥s as alega√ß√Ķes finais, o j√ļri deliberou por duas horas.

Na pr√≥xima fase do julgamento, no dia 3 de janeiro, ser√° decidido se Roof ser√° enviado ao corredor da morte. O jovem, que n√£o dep√īs na primeira fase, assumir√° de agora em diante a pr√≥pria defesa, segundo pedido expresso que fez ao juiz.

O assassino solit√°rio foi detido na Carolina do Norte, quase 400 km ao norte do lugar do ataque, no dia seguinte ao crime.

O advogado de defesa, David Bruck, sugeriu em suas alega√ß√Ķes finais que Roof sofre de doen√ßa mental, argumentando que sua fam√≠lia n√£o tinha ideologia racista, que o jovem n√£o tinha dinheiro, nem plano de fuga, e que tampouco tinha se comunicado com outros supremacistas brancos.

Seu racismo "foi descarregado diretamente da internet para o seu cérebro", disse Bruck. "Tudo o que fez foi imitação."

Os sobreviventes e os familiares das vítimas presentes na sala se negaram a falar com a imprensa após o veredicto.

KU KLUX KLAN

O agente do FBI Joseph Hamski testemunhou na ter√ßa-feira (13) que Roof tinha visitado meia d√ļzia de vezes a igreja nos meses que antecederam o ataque, antes de fazer o download de um livro da organiza√ß√£o racista Ku Klux Klan.

Roof documentou essas viagens com fotos, nas quais posou em locais históricos vinculados à época da escravidão. O jovem publicou muitas imagens em sua página na internet, que continha um manifesto racista contra negros e minorias.

"A segregação não era ruim", escreveu. "Era uma medida defensiva. Não só nos protegia de interagir com eles e sermos feridos, mas também nos protegia de cair ao seu nível."

Em seu carro, o atacante tinha uma lista de seis igrejas da comunidade negra em Charleston ‚ÄĒinclusive a que foi alvo do ataque‚ÄĒ, uma Glock.45 e mais muni√ß√Ķes.

Os investigadores tamb√©m encontraram uma bandeira confederada ‚ÄĒconsiderada um s√≠mbolo racista‚ÄĒ e um casaco com um grande "88", n√ļmero com o qual os supremacistas brancos abreviam a sauda√ß√£o nazista "Heil Hitler".

Quando o julgamento come√ßou, na quarta-feira (14), o j√ļri ouviu o comovente depoimento de uma sobrevivente do ataque, Felicia Sanders, que simulou estar morta ao lado da neta, enquanto via seu filho agonizar.

"Nós achávamos que ele vinha buscar o Senhor", disse Sanders, em meio a soluços. "Mas por todo o tempo ele foi simplesmente mau, mau, tão mau quanto se pode ser."

A mãe de Roof sofreu um ataque cardíaco durante o depoimento de Sanders e precisou ser hospitalizada.

O massacre comoveu a opini√£o p√ļblica americana e internacional, em um momento em que os Estados Unidos mergulharam em uma s√©rie de epis√≥dios que evidenciaram as tens√Ķes raciais no pa√≠s.

Fonte: Folha de S√£o Paulo