Ci√™ncia & Sa√ļde: Dor no quadril e nos joelhos pode ser 'ressaca da evolu√ß√£o', indica estudo

Postado em: 28-12-2016

Cientistas da Universidade de Oxford dizem que uma "ressaca da evolução" poderia ajudar a explicar por que seres humanos sofrem tanto com dores nos ombros, nos quadris e no joelho.

Eles preveem que, mantidas as tendências atuais, os humanos do futuro devem sofrer ainda mais com problemas do tipo.

O estudo analisou 300 esp√©cimes de diferentes esp√©cies da linha da evolu√ß√£o humana abrangendo 400 milh√Ķes de anos para observar como os ossos mudaram sutilmente atrav√©s dos mil√™nios.

Puderam, assim, acompanhar as altera√ß√Ķes nos ossos conforme o homem foi evoluindo at√© conseguir ficar de p√© sobre as duas pernas.

Outros pesquisadores já tinham notado particularidades da evolução na formação óssea das pessoas. Algumas pessoas tem uma coluna vertebral mais encurvada, mais semelhante à de nossos parentes mais próximos, os chimpanzés, e que, por isso, são mais propensas a ter dores nas costas.

Paul Monk, que liderou a pesquisa do Departamento de Ortopedia, Reumatologia e Ci√™ncias M√ļsculo-esquel√©ticas, quis saber por que tantos pacientes de sua cl√≠nica tinham problemas ortop√©dicos semelhantes.

"N√≥s vemos alguns problemas muito comuns na cl√≠nica. Dor nos ombros quando se levanta o bra√ßo para cima da cabe√ßa, dor na frente dos joelhos, artrite no quadril e, em algumas pessoas mais novas, articula√ß√Ķes com tend√™ncia a estalar", explicou.

"N√≥s fic√°vamos imaginando como n√≥s pudemos chegar a esse arranjo bizarro de ossos e articula√ß√Ķes que faz com que as pessoas vivam cheias de dores e com esses problemas."

"Aí percebemos que a chave estava no estudo da evolução."

A equipe analisou tomografias detalhadas de 300 espécimes pré-históricos guardados no Museu Natural de História em Londres, e no Smithsonian Institution, em Washington.

Reunindo os arquivos, eles conseguiram criar uma biblioteca de modelos 3D e conseguiram visualizar as formas de ossos separadamente ao longo de milh√Ķes de anos.

Conforme as espécies evoluíam - de quando andavam de quatro até poder se levantar e andar de forma ereta -, pesquisadores notaram mudanças como um aumento no colo do fêmur para suportar o peso extra.

E estudos mostram que, quanto mais grosso for o colo do fêmur, mais propensão a pessoa terá para desenvolver artrite.

Cientistas dizem que essa é uma possível razão para humanos estarem suscetíveis a tantas dores no quadril.

A equipe, ent√£o, usou seus dados para arriscar um palpite sobre a forma dos ossos humanos daqui a 4 mil anos.

"O que é interessante é que se tentarmos projetar essas tendências lá para frente, a forma dos ossos que está por vir é de um colo do fêmur ainda mais grosso, que marcaria uma tendência a se ter ainda mais artrite."

No ombro, os cientistas descobriram que uma lacuna natural - onde os tend√Ķes e os vasos sangu√≠neos normalmente passam - ficou mais estreita ao longo do tempo.

Esse espa√ßo menor, segundo os cientistas, faz com que seja mais dif√≠cil para os tend√Ķes se movimentarem e pode ser a explica√ß√£o para por que tantas pessoas sentem dor quando levantam os bra√ßos para cima da cabe√ßa.

Usando essas previs√Ķes, os pesquisadores sugerem que as pr√≥teses de articula√ß√Ķes do futuro ter√£o de ser redesenhadas para acomodar as formas dos ossos evolu√≠dos.

Mas eles garantem que nem tudo é má notícia: a correta psicoterapia e exercícios para manter uma boa postura podem ajudar a acabar com algumas desvantagens do nosso "corpo evoluído".

Fonte: BBC Brasil