Ci√™ncia & Sa√ļde: Correr faz bem para o c√©rebro e para o cora√ß√£o, sugerem estudos

Postado em: 03-01-2017

Pessoas que praticam exerc√≠cios f√≠sicos de resist√™ncia, como corridas de longa dist√Ęncia, t√™m um envelhecimento mais saud√°vel, com ganhos na sa√ļde cerebral e cardiovascular. √Č o que apontam dois estudos recentes, realizados por pesquisadores da Universidade do Arizona e da Universidade de S√£o Paulo (USP).

Imagem redimensionadaNo primeiro deles, publicado no jornal cient√≠fico Frontiers In Human Neuroscience, exames de resson√Ęncia magn√©tica revelaram que c√©rebros de jovens adultos de 18 a 25 anos corredores t√™m maior conectividade funcional ‚Äďconex√Ķes entre regi√Ķes cerebrais distintas‚ÄĒ do que c√©rebros de indiv√≠duos sedent√°rios, que n√£o praticaram atividades f√≠sicas no √ļltimo ano.

J√° o segundo, de autoria de Marcelo Hiro Akiyoshi Ichige, graduando em medicina da USP, e publicado em The Journal of Physiology em agosto deste ano, sugere que seis semanas de treinamento f√≠sico podem evitar a perda de neur√īnios ligados √† atividade cardiovascular, corrigindo a frequ√™ncia card√≠aca de pessoas com o funcionamento cardiovascular prejudicado.

Correr faz bem para o cérebro

√Āreas do c√©rebro como o c√≥rtex frontal --respons√°vel por fun√ß√Ķes cognitivas como planejamento, tomada de decis√£o e capacidade de mudan√ßa de aten√ß√£o entre tarefas‚ÄĒs√£o estimuladas quando fazemos exerc√≠cios f√≠sicos de repeti√ß√£o, como corridas de longa dist√Ęncia, aponta o estudo da Universidade do Arizona.

Esta é uma novidade importante trazida pela pesquisa: estudos anteriores reforçavam a tese de que atividades que exigem controle motor fino, como tocar instrumentos musicais, ou que exigem altos níveis de coordenação, como jogar golfe, podem alterar a estrutura e a função cerebral. Não havia, porém, evidências de estímulos cerebrais em atividades de repetição como a corrida.

Al√©m disso, pesquisas que relacionavam o impacto de exerc√≠cios f√≠sicos sobre o c√©rebro, em geral, eram realizadas com pessoas mais idosas. Ao desenvolver o estudo com jovens, p√īde-se verificar que √°reas do c√©rebro que s√£o estimuladas com atividades como a corrida s√£o as mesmas que s√£o impactadas com o avan√ßo da idade. E como os idosos t√™m a conectividade funcional alterada com o passar dos anos, ser ativo como um jovem adulto pode ser algo potencialmente ben√©fico.

Cabe ressaltar que os exames de resson√Ęncia magn√©tica que mediram a conectividade funcional foram realizados com jovens em repouso, de massa corporal e n√≠veis educacionais semelhantes.

Perda de neur√īnios ligados ao cora√ß√£o podem ser revertidos com a pr√°tica de exerc√≠cios

A pr√°tica de exerc√≠cios f√≠sicos, segundo a pesquisa da USP realizada com ratos, √© capaz de bloquear altera√ß√Ķes como a perda de neur√īnios que inervam o cora√ß√£o e, ainda, corrigir a frequ√™ncia card√≠aca.

Pessoas com insufici√™ncia card√≠aca --condi√ß√£o acompanhada por redu√ß√£o da fun√ß√£o dos ventr√≠culos, ativa√ß√£o de mecanismos nervosos e hormonais compensat√≥rios e disfun√ß√Ķes do sistema nervoso aut√īnomo-- poderiam, ent√£o, segundo o estudo, melhorar sem os efeitos colaterais de tratamentos √† base de medicamentos.

O estudo foi conduzido com 47 ratos machos de oito semanas de vida. Neles, foi induzida a insufici√™ncia card√≠aca por aplica√ß√£o de droga e procedimento cir√ļrgico. As cobaias foram, ent√£o, divididas entre sedent√°rias, de um lado, e submetidas a exerc√≠cios f√≠sicos, de outro.

Observou-se, com isso, que, com seis semanas de treinamento, evitou-se, nos animais, a perda dos neur√īnios ligados √† atividade cardiovascular, readequando o fluxo nervoso para o cora√ß√£o. E a corre√ß√£o da disfun√ß√£o, obtida pela atividade f√≠sica, ocorreu mesmo com a persist√™ncia da fun√ß√£o anormal dos ventr√≠culos.

A conclus√£o, ent√£o, foi de que seis semanas de treinamento f√≠sico podem evitar a perda de neur√īnios ligados √† atividade cardiovascular e restabelecer o t√īnus parassimp√°tico.

Fonte: UOL