FG News: Relator do Escola sem Partido diz que proposta não tem motivação religiosa

Postado em: 16-02-2017

Em audi√™ncia na C√Ęmara, o deputado Flavinho (PSB-SP), relator da comiss√£o especial que analisa o chamado projeto da Escola sem Partido (PL 7180/14), afirmou que a proposta n√£o tem motiva√ß√Ķes religiosas. O objetivo, segundo ele, √© restabelecer direitos aos estudantes.

Imagem redimensionada"Desde a primeira audi√™ncia p√ļblica que n√≥s tivemos, sempre se levanta a quest√£o religiosa, s√≥ que n√£o √© disso que esta comiss√£o trata. Esta comiss√£o analisa seis projetos de lei que visam proteger os direitos dos educandos", afirmou.

Flavinho disse ainda que "seria mais produtivo se não nos detivéssemos tanto na questão religiosa e nos preocupássemos mais com a situação das nossas crianças e adolescentes nas escolas".

Perseguição em universidade

No debate desta quarta-feira (15), foi ouvida a estudante de hist√≥ria Ana Caroline Campagnolo, que relatou ter sofrido persegui√ß√£o religiosa da professora e dos colegas no curso de mestrado em uma universidade p√ļblica de Santa Catarina.

Ela entrou com a√ß√£o na Justi√ßa por danos morais contra a professora que, segundo relatou, recusou-se a orient√°-la por n√£o concordar com suas convic√ß√Ķes religiosas. Ana Caroline disse que colegas a ‚Äúdenunciaram‚ÄĚ porque ela publicava fotos nas redes sociais com trechos da B√≠blia. Em um e-mail, a professora alertava: ‚Äúvoc√™ se mostra antifeminista e eu estou sendo cobrada por ser sua orientadora. Voc√™ pode ser antifeminista, mas n√£o pode negar nossas conquistas.‚ÄĚ

Direito ao contraditório

Outra convidada da audi√™ncia, a professora Madalena Guasco, da Faculdade de Educa√ß√£o da PUC-SP, disse que a educa√ß√£o n√£o √© neutra, pois faz parte do trabalho do professor se posicionar a favor de determinada concep√ß√£o te√≥rica. ‚ÄúA hist√≥ria da educa√ß√£o brasileira est√° repleta de concep√ß√Ķes te√≥rico-pedag√≥gicas, sociol√≥gicas e filos√≥ficas, portanto, n√£o s√£o neutras‚ÄĚ, afirmou.

Para a professora, a ci√™ncia √© feita de debate, de contradi√ß√£o, da contraposi√ß√£o de determinadas concep√ß√Ķes que fazem parte de um momento hist√≥rico.

Já o deputado Lincoln Portela (PRB-MG) defendeu o projeto, dizendo que “há 30 anos a esquerda marxista radical invadiu a escola brasileira, fazendo lavagem cerebral" nos estudantes.

"Eles fazem sabe o que nas escolas? Incentivo √† desobedi√™ncia civil, desde que eles n√£o estejam no poder. Rejeitam quest√Ķes religiosas, rejeitam a fam√≠lia monog√Ęmica. N√£o respeitam o texto constitucional da toler√Ęncia", criticou o parlamentar.

AI 5 educacional

O deputado Leo de Brito (PT-AC), no entanto, fez um apelo para que a proposta n√£o seja aprovada. Para ele, uma lei da Escola sem Partido seria uma esp√©cie de ‚ÄúAI 5‚ÄĚ educacional.

"Eu vi aqui uma verdadeira sataniza√ß√£o √†s pessoas que s√£o de esquerda. Acho que isso n√£o vai levar nosso Pa√≠s a lugar nenhum. Eu sou professor de universidade e j√° orientei projetos nos quais a hip√≥tese defendida n√£o era de minha concord√Ęncia, mas orientei. Acho que a legisla√ß√£o e a Constitui√ß√£o d√£o conta dessas situa√ß√Ķes de desrespeito na escola", argumentou.

A comiss√£o especial volta a se reunir na pr√≥xima ter√ßa-feira, √†s 15 horas, para nova audi√™ncia p√ļblica sobre o projeto.

√ćNTEGRA DA PROPOSTA:

PL-7180/2014

Fonte: Ag√™ncia C√Ęmara Not√≠cias